O número de mortos pelas enxurradas catastróficas que atingiram o Nepal e o Tibete passou de 1,2 mil ontem (2/9), quando a tragédia completou uma semana. Equipes de resgate lutavam contra a chuva e os destroços para tentar localizar pessoas que estariam presas nos túneis ao longo do curso do rio Bhotekoshi e em hidrelétricas subterrâneas.
Mais de 4,2 mil continuam desaparecidos. Contudo, se ainda há esperanças de encontrar sobreviventes nas hidrelétricas, as chances de resgatar pessoas vivas em outros locais estão diminuindo, avaliam autoridades nepalesas. Ainda assim, as operações não foram interrompidas, com equipes vasculhando a encosta da montanha ao longo da fronteira com a China, onde cidades e vales foram devastados, detalha a Reuters. Apesar disso, famílias de desaparecidos já realizavam funerais simbólicos.
O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, afirmou que a ligação do desastre às mudanças climáticas deve ser fortemente debatida com a comunidade internacional, destacam The Hindu e O Globo. “A enchente do rio Bhotekoshi, em Rasuwa, não foi comum”, declarou o premiê em uma publicação nas redes sociais. “Foi um dos desastres mais graves da região, provocado por uma avalanche de neve e gelo no Himalaia. Este incidente indica que os riscos estão aumentando em paralelo às mudanças climáticas”, afirmou Shah. “Portanto, esta região deve permanecer em alerta”, acrescentou.
O Nepal quer exigir uma compensação climática dos maiores emissores mundiais de gases de efeito estufa, segundo a Bloomberg. A China, os Estados Unidos e a Índia deram contribuições “extremamente grandes” para as mudanças climáticas e deixaram as nações menores “arcando com as consequências”, lembrou o ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, à Kantipur TV. Faltou cobrar também a União Europeia.
Khanal afirmou que o país solicitou ajuda urgente ao Fundo da ONU para Perdas e Danos, criado na COP27, em 2022, no Egito, para ajudar países vulneráveis na recuperação de desastres relacionados ao clima. Segundo a mídia local, autoridades informaram ao fundo que os custos de recuperação superam em muito os recursos internos e que aguardar a reunião do conselho do mecanismo, marcada para dezembro, seria tarde demais.
O governo do Nepal estima que os danos causados pelas recentes inundações custarão cerca de US$ 5 bilhões (R$ 25,5 bilhões). Segundo o New York Times, a cifra representa 10% da produção econômica anual do país e um novo fardo para uma nação que investiu pesadamente em hidrelétricas que agora estão destruídas. Por isso, a tragédia é um forte lembrete do crescente risco de projetos desse tipo em uma das áreas mais propensas a desastres naturais no mundo.
As barragens no alto dos Himalaias parecem ser uma solução imediata para uma região carente de energia. Os países veem os rios de montanha como uma resposta ao aumento da demanda por eletricidade, à dependência de combustíveis fósseis e ao subdesenvolvimento econômico. No entanto, as mudanças climáticas produzem geleiras instáveis e chuvas imprevisíveis, criando novos riscos para as hidrelétricas existentes e aumentando o custo potencial das que ainda estão em fase de planejamento, destaca a Bloomberg.





