Estudo: preservação do entorno de matas garante maior sobrevivência de aves

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Estudo: preservação do entorno de matas garante maior sobrevivência de aves

Um estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) sugere que a sobrevivência de animais em florestas tropicais e subtropicais é afetada não só pelo tamanho das matas, mas também pelo tipo de ambiente do entorno. O levantamento contou com a participação de pesquisadores de instituições nacionais e estrangeiras.

A pesquisa usou 50 bases de dados, compreendendo 1.005 fragmentos de florestas tropicais e subtropicais formados por ação humana em todo o mundo, totalizando mais de 39 mil registros de 1.954 espécies de aves. Foram considerados um conjunto de toda a avifauna e outras espécies dependentes de florestas, destaca o phys.org.

Assim, o estudo mostrou que fragmentos de mata, quando inseridos em um entorno terrestre, têm menor taxa de extinção local de aves em comparação a florestas de mesmo tamanho em ilhas formadas por barragens ou represas. A relação espécie-área também é maior em fragmentos de mata terrestre quando há outros fragmentos até o limite de um raio de 300 metros.

Segundo Anderson Saldanha Bueno, pesquisador do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Farroupilha (RS) e coordenador do estudo, o efeito é mais significativo para espécies dependentes de florestas que abrigam fragmentos pequenos. Em fragmentos de mata isolados por reservatórios, o número de espécies é menor, com taxa de extinção elevada.

A fragmentação de áreas naturais é hoje uma das principais ameaças à biodiversidade. Para o coautor da pesquisa e curador da coleção de aves do Museu de Zoologia da USP, Luís Fábio Silveira, os achados do estudo podem ajudar a moldar políticas públicas de conservação de remanescentes florestais, principalmente os inseridos em contextos rural ou urbano.

“As matrizes do entorno são importantes para garantir oportunidades de trânsito e propagação dos organismos. As Unidades de Conservação em meio a uma matriz hostil perdem, ao longo do tempo, sua efetividade”, afirmou à Folha. “O próximo passo seria distinguir se essa paisagem circundante é pasto, cultivo ou vegetação em regeneração”.