Um marco irreversível das mudanças climáticas foi registrado em meados de abril na Sierra Nevada del Cocuy, nos Andes colombianos. O Instituto de Hidrologia, Meteorologia e Estudos Ambientais (IDEAM) da Colômbia declarou oficialmente a extinção da geleira nos Cerros de la Plaza, após monitoramentos por satélite confirmarem que a massa de gelo desapareceu totalmente em março deste ano.
O desaparecimento de Cerros de la Plaza, no norte do país, não foi repentino, informam RFi, Folha, Click Petróleo e Gás e Notícias Ambientales. A transformação progressiva da geleira começou no século 19, quando tinha 5,5 quilômetros quadrados (km²). Com o aquecimento global, o processo se acelerou a partir da década de 1980. Em 2016, sua área havia se reduzido para apenas 0,15 km², sinalizando seu desaparecimento iminente.
A extinção reflete o risco enfrentado por essas massas de gelo andinas com o agravamento da crise climática. O glaciologista colombiano Jorge Luis Ceballos, que monitora as geleiras do país, adverte: “O que as geleiras estão nos dizendo é que esse clima não é feito para nós”.
Ceballos observa há vários anos o fenômeno. Ele se transformou em uma espécie de mensageiro das geleiras tropicais – localizadas principalmente na América do Sul e particularmente frágeis diante das mudanças do clima.
O aumento das temperaturas, causado pelas mudanças climáticas provocadas pelas emissões de CO₂ provindas das atividades humanas, e a diminuição das chuvas foram os principais fatores para o fim de Cerros de la Plaza. A geleira era considerada particularmente vulnerável, por estar situada a uma altitude relativamente baixa – pouco acima dos 5 mil metros -, onde as temperaturas não são tão baixas.
Para Ceballos, o desaparecimento progressivo das geleiras colombianas deve servir de alerta, já que a de Cerros de la Plaza não é a primeira. “No século 20, oito geleiras de baixa altitude desapareceram na Colômbia. Hoje, restam apenas seis em todo o país”, salienta. “Essas geleiras tropicais equatoriais que não superam os 5 mil metros de altitude estão condenadas a desaparecer no curto prazo”, afirma.





