Secas no Sudeste ficarão mais longas e severas, mostra estudo

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Secas no Sudeste ficarão mais longas e severas, mostra estudo

Até o final deste século, os períodos de seca vão se tornar mais longos e intensos no Sudeste, gerando mais crises hídricas e ameaçando o abastecimento de água de milhões de pessoas. Essa é a conclusão de um estudo de pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (FUNCEME) publicado na Revista Brasileira de Recursos Hídricos na semana passada.

A pesquisa focou na bacia do rio Paraíba do Sul, responsável pelo abastecimento de 20 milhões de pessoas em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Os cientistas usaram o Drought Representation Index (Drip), um índice de desempenho de modelos climáticos para a representação de secas. Considerando também indicadores de mudanças climáticas, eles tentaram projetar como serão os períodos de estiagem na bacia, explicam Folha, Brasil de Fato e Metrópoles.

O Drip considera três fatores para avaliar secas: duração, severidade e intervalo entre um período e outro. O estudo indica que, entre os anos de 2021 e 2060, as temporadas de seca devem durar em média 13 meses, ante os nove meses no período histórico observado até agora. Já entre 2061 e 2100, os eventos de estiagem devem chegar a 16 meses de duração.

O estudo também tentou estimar a intensidade das secas que as populações dos três estados devem enfrentar até o final do século 21. “A severidade é um índice que tem a ver com o volume de água. Quanto mais severa é a seca, menor é o volume de chuvas nesse período analisado”, explicou Ályson Estácio, pesquisador da FuUNCEME e um dos autores do estudo. Enquanto o índice de severidade observado até o momento é de 7,35, ao final do século ele chegará a 18,35.

A projeção também considerou o intervalo entre os períodos de seca, conhecido como “período de retorno”. “Esse indicador aponta o tempo de ‘trégua’, ou seja, o tempo disponível para a recuperação do sistema hídrico antes da próxima seca”, detalhou Estácio.

As projeções apontam para um aumento desse intervalo, o que, aparentemente, é positivo. Até o momento, a média na bacia do rio Paraíba do Sul é de 18 meses. Entre 2021 e 2060, deve pular para 20 meses. Nas décadas seguintes, entre 2061 e 2100, o intervalo entre as secas deve ser de 23 meses.

O especialista, porém, faz ressalvas a esse aparente alívio. “À primeira vista, parece positivo, mas não é bem assim. Os eventos de seca serão um pouco mais raros, porém, eles serão mais intensos e duradouros. Os efeitos das secas serão muito piores.”

Os pesquisadores propõem medidas para reduzir os impactos desses eventos mais intensos na região. “Hoje, os planos e projetos de novas represas não consideram as mudanças climáticas. É indispensável atualizar esses métodos de cálculo e as normas de gestão de recursos hídricos”, ressaltou Estácio.