COP17 da Desertificação entra na reta final tentando destravar financiamento

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COP17 da Desertificação entra na reta final tentando destravar financiamento

A 2ª e última semana da COP17 da Convenção da ONU de Combate à Desertificação (UNCCD) começou ontem (24/8) em Ulaanbaatar, na Mongólia, com várias conversas ainda travadas por desentendimentos entre os países. Tópicos importantes, como o acordo global contra a seca e o financiamento contra a desertificação e a degradação do solo, não conseguiram avançar na primeira metade da conferência e devem ser os principais desafios para os ministros de Estado que participarão do segmento de alto nível nesta semana. 

No Valor, Daniela Chiaretti traçou um panorama dos impasses. Os Estados Unidos são o principal obstáculo a qualquer entendimento, sobretudo quanto ao acordo global de gestão de secas. Na COP16, em 2024, os países concordaram com a necessidade de criar um instrumento jurídico, seja obrigatório ou voluntário, para facilitar o enfrentamento da seca pelas nações mais pobres. Em Ulaanbaatar, a expectativa era definir o perfil desse instrumento, mas o governo de Donald Trump rejeita qualquer possibilidade de acordo.

Mas os estadunidenses não estão sozinhos nas travas. Países da América Latina, como o Chile, também embarcaram na estratégia de impedir qualquer acordo global sobre as secas. Isso reflete as mudanças políticas recentes na região, que vem sendo tomada por governos de extrema-direita alinhados à gestão de Trump.

A falta de entendimento também afeta o financiamento para a restauração dos solos e o combate à seca. Como a Agência Brasil assinala, os compromissos anunciados até agora na COP17 somam US$ 1,3 bilhão (R$ 6,7 bilhões). Um valor muito aquém do defendido por especialistas para enfrentar efetivamente o problema, na ordem de quase US$ 280 bilhões (R$ 1,4 trilhão) por ano.

Diante disso, o Secretariado da UNCCD reforçou o apelo para que governos e empresas se engajem nesse processo. “Falamos de financiamento não para doar, mas para investir. Para mobilizar recursos que invistam nas pessoas, nas economias e na prevenção. Prevenção de conflitos que vemos em muitas das nossas áreas de pastagem. Queremos levar a resolução para além das palavras no papel e implementá-la na vida das pessoas”, afirmou a secretária-executiva da Convenção, Yasmine Fouad.

Até o momento, o maior anúncio financeiro da COP17 é a Rangelands Flagship Initiative, que reúne 45 projetos que mobilizarão cerca de US$ 1,2 bilhão (R$ 6,2 bilhões), com foco principal nas pastagens. A iniciativa pretende conservar, gerir de forma sustentável e restaurar passagens e ecossistemas de terras secas em todo o mundo. As pastagens ocupam mais da metade da superfície terrestre e são fundamentais para a subsistência de centenas de milhões de pessoas.

Outro destaque é a criação de um programa integrado de gestão de terras, com previsão inicial de US$ 140 milhões (R$ 722 milhões), financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF). O projeto pretende auxiliar os países a abandonar a lógica baseada na resposta a emergências e investir mais em prevenção, monitoramento e planejamento.