Sob El Niño, oceanos batem recorde histórico de calor

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Sob El Niño, oceanos batem recorde histórico de calor

Impulsionados por um El Niño que pode ser o mais forte em 150 anos, os oceanos da Terra registraram um recorde histórico de calor no sábado (22/8). Segundo o serviço climático Copernicus, da União Europeia, a temperatura média da superfície do mar atingiu 21,1oC, batendo o recorde diário anterior, de 21,09oC, registrado em 1º de março de 2024.

Segundo o Copernicus, o marco é consistente com o aquecimento contínuo e de longo prazo dos oceanos e com o surgimento de um “Super El Niño” no Pacífico. A intensidade anormal do fenômeno explica o momento pouco usual em que esse recorde é atingido. Em geral, as temperaturas dos oceanos são mais altas entre março e abril, após o verão no hemisfério sul.

“Este último recorde diário segue uma sucessão de recordes mensais de temperatura da superfície do mar e valores próximos a recordes observados ao longo de 2026 em todo o oceano extrapolar (60°S a 60°N), ressaltando o aquecimento persistente em grande parte do oceano global”, destacou o Copernicus.

O aquecimento dos oceanos traz consequências potencialmente desastrosas para a vida marinha e para as comunidades humanas que dependem dos recursos marinhos para sua sobrevivência. Um oceano mais quente contribui para a elevação do nível do mar por expansão térmica, além de aumentar a probabilidade e a intensidade de ondas de calor marinhas, que podem danificar ecossistemas essenciais, como recifes de coral. O aumento da temperatura dos oceanos também pode intensificar sistemas de tempestades, transferindo mais calor e umidade para a atmosfera.

“O El Niño está adicionando calor ao sistema, mas faz isso sobre décadas de aquecimento causado pela ação humana”, lembrou Samantha Burgess, coordenadora do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) do serviço Copernicus. “As consequências já são visíveis: o número de dias de ondas de calor marinhas em todo o mundo mais do que triplicou desde o início da década de 1990, exercendo pressão crescente sobre os ecossistemas marinhos e as comunidades que dependem deles”, reforçou a especialista.

Brian O’Donnell, diretor da Campaign for Nature, destaca que o caminho para lidar com o aquecimento recorde dos oceanos passa pelo fim da queima de petróleo, gás fóssil e carvão. “As emissões dos combustíveis fósseis precisam ser reduzidas rapidamente. Enquanto isso, é essencial que os países protejam os ecossistemas marinhos e costeiros. Os manguezais, os pântanos e as florestas de algas absorvem carbono, e os recifes de coral protegem contra tempestades e fornecem habitat”, afirmou no Guardian.

O’Donnell lembrou ainda que mais de 190 governos se comprometeram a proteger e conservar pelo menos 30% do planeta até 2030. “Agora é o momento de transformar esse compromisso em uma conservação eficaz e duradoura na prática”, completou.

BBC, Bloomberg, Daily Mail, Euronews, Folha, O Globo, Scientific American, VEJA e Washington Post, entre outros, repercutiram o novo recorde histórico diário de calor oceânico.