O governo federal aprovou, na 5ª feira (2/7), o Plano Decenal de Expansão da Energia – PDE 2035, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Segundo o material de divulgação do documento de mais de 500 páginas, o plano “reforça o protagonismo brasileiro na transição energética”. Mas, no frigir dos ovos – e dos números -, o que se vê é o domínio (e o aumento) dos investimentos em combustíveis fósseis e apenas um rearranjo das cifras para fontes renováveis.
A Folha destaca que, dos investimentos de R$ 3,5 trilhões previstos no PDE 2035, R$ 2,8 trilhões – 80% do total – serão destinados a petróleo e gás. O valor representa mais de sete vezes o montante projetado para energias renováveis, que soma R$ 374 bilhões.
Em comparação com o plano anterior (2034), a cifra total aumentou cerca de R$ 300 bilhões. E quase a totalidade desse crescimento se destina a óleo e gás, já que o PDE 2034 projetava R$ 2,5 trilhões para esse segmento.
A concentração dos investimentos em petróleo e gás reflete o desenvolvimento de reservas do pré-sal. Por isso, o PDE projeta 74% do valor total ao segmento de exploração e produção (E&P). Segundo o plano, o país chegará a 2035 produzindo 4,9 milhões de barris por dia – alta de 22% sobre a produção atual.
O PDE não cita especificamente investimentos diretos na Foz do Amazonas, mas afirma que a Margem Equatorial “é apontada por especialistas como promissora para a produção de hidrocarbonetos”. O documento reitera a expectativa de que a Foz tenha reservas similares às encontradas nos vizinhos Guiana e Suriname, que chegam a 11 bilhões de barris.
O plano dá destaque também para o gás fóssil. O combustível terá maior crescimento tanto em oferta (71%) quanto em demanda (65%) nos próximos dez anos, segundo o documento. O investimento em termelétricas – que inclui gás fóssil, mas também a fonte nuclear – é previsto em R$ 167 bilhões.
A cifra prevista pelo PDE 2035 para energia renovável inclui R$ 38 bilhões para sistemas de armazenamento (baterias); R$ 79 bilhões para eólica; R$ 54 bilhões para hidrelétricas; R$ 36 bilhões para solar; e R$ 115 bilhões para biocombustíveis.
No setor elétrico, o governo ainda projeta R$ 117 bilhões para a área de transmissão. A falta de linhas – e de baterias – tem feito o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) limitar a geração de eletricidade de usinas eólicas e solares em operação no Nordeste (corte conhecido como curtailment).
Times Brasil, Agência iNFRA, Brasi 247 e eixos noticiaram a aprovação do PDE 2035.





