Margem de revenda do diesel sobe 124% com guerra, diz presidente da Petrobras

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Margem de revenda do diesel sobe 124% com guerra, diz presidente da Petrobras

Os preços dos combustíveis fósseis dispararam com os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. No Brasil, distribuidoras e revendedores aproveitaram a escalada para aumentar suas margens de lucro, critica a presidente da Petrobras, Magda Chambriard. Mas a empresa também está ganhando muito com a guerra.

Em uma rede social, Magda destacou o aumento de margem dos setores de distribuição e revenda de combustíveis. A executiva lembrou que a estatal está fora desses segmentos desde a venda da BR Distribuidora pelo governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2021, informa o InfoMoney.

A presidente da Petrobras lembrou que mesmo em “época de guerra”, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), a margem de lucro da distribuição e revenda de óleo diesel aumentou 124%, e a da gasolina, 44%. “Como gosto de perguntar, para quem foi boa a venda da BR Distribuidora, da Refinaria da Bahia [Mataripe], da Liquigás [distribuidora de gás de cozinha]?” indagou Magda.

Mas se o bolso do consumidor dói cada vez mais com o conflito no Oriente Médio, a Petrobras não tem do que reclamar. Além de exportar petróleo a preços mais altos, a estatal se beneficia do aumento das vendas diretas de óleo diesel, que dispararam no primeiro trimestre, segundo dados da ANP. O volume comercializado por produtores a grandes consumidores saltou de 1,1 milhão de litros, no último trimestre de 2025, para 23,4 milhões de litros, de janeiro a março deste ano, uma alta de 20 vezes.

O avanço se concentrou em Minas Gerais, que respondeu por 20 milhões de litros do total – alta de 36 vezes em relação ao período de outubro a dezembro de 2025. Segundo o Estadão, as vendas foram realizadas principalmente da Petrobras para a Vale – responsável por 4% do consumo de diesel do país.

Diferentemente da venda de diesel pelas distribuidoras, a venda direta não tem como contrapartida obrigatória a compra de Créditos de Descarbonização (CBIOs). Por isso, para o setor de distribuição, trata-se de concorrência desleal. Além disso, contraria o discurso de descarbonização da petrolífera e da mineradora, já que o CBIO é uma espécie de compensação pela queima de combustíveis fósseis. Na dúvida, torçamos pela briga.