Nações gastam 2,5 vezes mais com combustíveis fósseis do que com energia limpa

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Nações gastam 2,5 vezes mais com combustíveis fósseis do que com energia limpa

O choque dos preços do petróleo provocado pelos ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã reforçaram a necessidade de se acelerar a transição energética no planeta. No entanto, as maiores economias importadoras de petróleo, gás e carvão continuam destinando mais recursos financeiros para bancar os combustíveis fósseis do que para fontes renováveis de energia e outras tecnologias de eletrificação.

O Instituto Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (IISD) mostra que nove das dez maiores economias importadoras de combustíveis fósseis do mundo gastaram US$ 313,6 bilhões em subsídios para petróleo, gás e carvão em 2024. No mesmo ano, elas destinaram US$ 121,7 bilhões para energias renováveis – ou seja, aplicaram 2,5 vezes mais em fósseis do que em renováveis. O IISD não incluiu os EUA no somatório dos subsídios aos combustíveis fósseis, já que esses dados não estão mais disponíveis – o que indica que a diferença pode ser ainda maior.

Juntas, essas dez economias são responsáveis ​​por 62% das emissões globais de gases de efeito estufa. Como de 70% a 80% dessas emissões são causadas pela queima de combustíveis fósseis, o redirecionamento dos subsídios destinados a petróleo, gás e carvão para renováveis aliviaria cofres governamentais, traria segurança energética e ainda impactaria positivamente o clima.

Especialistas destacam que os subsídios aos combustíveis fósseis mantêm as economias presas a sistemas energéticos mais caros, arriscados e voláteis do que aqueles baseados em energias renováveis, baterias, veículos elétricos e outras tecnologias elétricas. E é precisamente essa dependência que está elevando os custos de energia a níveis críticos, como escancarou a guerra no Oriente Médio.

Os maiores subsídios aos combustíveis fósseis foram dados por China (US$ 86,7 bilhões/R$ 432 bilhões), União Europeia (US$ 73 bilhões/R$ 363 bilhões) e Índia (US$ 67,5 bilhões/R$ 336 bilhões), que juntos concentram 72% do total analisado, segundo o IISD. O top 5 é completado por Japão (US$ 45,1 bilhões/R$ 225 bilhões) e Reino Unido (US$ 23,5 bilhões/R$ 117 bilhões), lista a Exame. Já o México tem o desequilíbrio mais extremo: o país destina mais de 330 vezes mais recursos para fósseis do que para energia limpa.

O IISD ainda aponta distorções sociais relevantes por causa dos maiores subsídios a combustíveis fósseis. Em países de renda média, os 20% mais ricos da população recebem, em média, 11 vezes mais subsídios do que os 20% mais pobres. Logo, transferências diretas de recursos financeiros para famílias de baixa renda, em vez de subsídios generalizados, protegeriam as pessoas que mais precisam sem perpetuar a dependência dos combustíveis fósseis.

“Os dados mostram que essas economias estão pagando duas vezes: uma vez pelos subsídios e outra quando ocorrem choques de preços”, diz Natalie Jones, consultora sênior de políticas do IISD. “As energias renováveis, as baterias e as soluções elétricas oferecem um caminho mais barato e estável do que os combustíveis fósseis. No entanto, o dinheiro público continua a fluir esmagadoramente na direção errada. Cada dólar gasto em subsídios para combustíveis fósseis é um dólar que atrasa a única estratégia que realmente funciona”, reforça.