Empresa dos EUA compra única mineradora de terras raras do Brasil 

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Empresa dos EUA compra única mineradora de terras raras do Brasil 

A compra da única mineradora de terras raras em operação comercial no Brasil por uma empresa estadunidense coloca o país em alerta e reforça a ofensiva dos EUA para tentar consolidar uma cadeia independente de suprimentos dos elementos. O grupo de minerais é estratégico, mas hoje é altamente dependente de minas, de processamento e de produtos finais da China, destaca o Valor.

A USA Rare Earth (USAR) anunciou a compra da mineradora Serra Verde Group, dona da única mina que produz e processa terras raras no Brasil, em Minaçu (GO). A transação foi estimada em US$ 2,8 bilhões (R$ 14 bilhões), sendo US$ 300 milhões (R$ 1,4 bilhão) em dinheiro e outra parte em ações, já que a USAR emitirá 126,8 milhões de novas ações ordinárias, com base no preço de fechamento de US$ 19,95 (R$ 100) em 17 de abril, e será concluída no terceiro trimestre, detalha o Capital Reset.

Terras raras compreendem um grupo de 17 elementos químicos de difícil extração e refino essenciais para a transição energética, dispositivos eletrônicos, ímãs de motores elétricos, inteligência artificial e sistemas de defesa. A China domina a produção e o processamento, enquanto os EUA tentam montar uma cadeia produtiva alternativa. Por isso, estão de olho nas reservas brasileiras – as maiores, logo atrás das chinesas.

A Serra Verde é a única mineradora fora da Ásia a extrair em escala comercial quatro elementos mais cobiçados dentre os 17. Com a aquisição da empresa, a USAR pretende criar a primeira cadeia integrada de suprimento de terras raras fora do continente asiático.

Segundo um especialista do setor ouvido pela Agência Pública, essa é a maior fusão e aquisição na história da indústria de terras raras. Mas, para Elaine Santos, pesquisadora do Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG), em Portugal, não é apenas uma aquisição empresarial: é também uma operação de segurança para essa cadeia de abastecimento. “Os EUA têm um projeto e o estão implementando para recuperar o controle sobre essas cadeias que eles externalizaram nas últimas décadas”, afirmou.

A Serra Verde tem capacidade de produzir cerca de 5 mil toneladas por ano de materiais processados. Toda a sua produção está comprometida pelos próximos 15 anos com uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), capitalizada por agências do governo estadunidense e por investidores privados, informam ICL Notícias e g1.

Em janeiro, a USA Rare Earth concordou com um pacote de financiamento de US$ 1,6 bilhão (R$ 8 bilhões) junto ao governo dos EUA. Já a Serra Verde, uma empresa privada, fechou um acordo de financiamento no valor de US$ 565 milhões (R$ 2,8 bilhões) com Washington em fevereiro, com a condição de que parte da produção tenha como destino o país ou “partes alinhadas”. 

Com a produção inicial já comprometida, uma eventual demanda brasileira pelo material não poderá ser atendida, afirmou Ricardo Grossi, CEO e COO da Serra Verde n’O Tempo.

Veja, UOL, Agência Brasil, Metrópoles, O Globo e O Cafezinho noticiaram a compra da Serra Verde pela USAR.