O cessar-fogo temporário firmado entre Estados Unidos e Irã chegou ao fim na 4ª feira (22/4) – só que não. Horas antes do prazo final do acordo, o presidente dos EUA, Donald Trump, decidiu prorrogá-lo por conta própria e sem uma data limite. Ainda assim, os preços do petróleo tiveram forte alta ontem, e o barril do Brent superou US$ 100 pela primeira vez em duas semanas.
O Brent com vencimento em junho fechou a sessão de ontem cotado a US$ 101,91 por barril, uma alta de 3,48% em relação ao dia anterior. Já o WTI com entrega prevista para o mesmo mês subiu 3,67% e terminou o dia cotado a US$ 92,96 por barril, lista o Valor.
A extensão do cessar-fogo pelos EUA supostamente foi bem recebida pelos investidores. No entanto, os próximos passos das negociações de paz com o Irã ainda parecem incertos. Além disso, o Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto da produção mundial de petróleo, permanece fechado.
A guerra no Oriente Médio restringiu severamente o fornecimento de petróleo do Golfo Pérsico. Países e blocos com recursos financeiros, como China, Japão, Europa e EUA, estão garantindo grande parte do combustível fóssil que precisam pagando o que for necessário por ele. Alguns estão restringindo as exportações para manter o que já possuem.
Essa corrida fez com que os preços do petróleo subissem em todos os lugares, afetando severamente países em desenvolvimento que precisam importar petróleo. Ao mesmo tempo, a escassez de oferta ameaça as nações menos ricas da Ásia, da África Subsaariana e da América Latina, explica o New York Times.
“O mercado não é um mecanismo de alocação harmonioso, mas acaba sendo a lei da selva”, disse Isabella Weber, economista da Universidade de Massachusetts, em Amherst. “O racionamento por meio da explosão de preços acaba sendo fundamentalmente injusto”, completou.
Mesmo que EUA e Irã firmem um acordo de paz, o cenário de preços altos e oferta restrita deverá perdurar por muitos meses. Segundo o banco francês o Société Générale, choques no mercado de energia costumam levar cerca de oito meses para uma normalização, informa o Valor. Por isso, a instituição financeira elevou suas projeções para o barril do Brent no fim do ano, de US$ 79 para US$ 85, e reconhece que os riscos ainda parecem inclinados para preços mais elevados. Ou seja, as economias nacionais continuarão pressionadas, e ainda mais a dos países mais pobres. Que, mais uma vez, pagarão uma conta que não lhes pertence.





