A Petrobras anunciou na 2ª feira (17/8) que assinou contrato com a estadunidense Halliburton Produtos para a perfuração e completação de quatro poços terrestres do projeto-piloto de captura de armazenamento de carbono (CCS) São Tomé. O projeto será executado na Estação de Barra do Furado (Ebaf), em Quissamã, no norte do Rio de Janeiro.
Segundo a eixos, é o primeiro projeto da América Latina de captura, movimentação e armazenamento de carbono (CCS) em reservatório salino a partir de fontes industriais. Seu objetivo é testar e validar algumas tecnologias enquanto captura até 100 mil toneladas de CO₂ por ano durante três anos.
Segundo a estatal, a perfuração dos poços e sua completação (fase de preparo e instalação de equipamentos realizada logo após a perfuração) serão concluídas até 2028, com início de operação em 2029, informa a Band. Em seguida, serão três anos de injeção de dióxido de carbono e outros três de monitoramento dos reservatórios.
Entre as tecnologias que serão utilizadas estão revestimento de fibra ótica para acompanhamento da pluma de CO2 em tempo real; sistema de coleta de amostras do reservatório, dispensando a intervenção no poço; materiais especiais resistentes ao dióxido de carbono; e revestimento de fibra de vidro no poço monitor, detalha o Petronotícias.
Na semana passada, o presidente Lula assinou um decreto regulamentando as atividades de captura, armazenamento e utilização de carbono (CCS/CCUS). O texto determina que projetos do tipo terão de monitorar o CO₂ armazenado por pelo menos 20 anos antes do encerramento definitivo das operações.
As tecnologias de captura e armazenamento de carbono vêm sendo incensadas principalmente pela indústria de petróleo e gás como “a” solução para conter as mudanças climáticas. No entanto, as (poucas) iniciativas em andamento são caríssimas e não têm sua viabilidade técnica comprovada. O que comprova que as petrolíferas insistem em CCS e CCUS apenas para continuar inundando o planeta de combustíveis fósseis – e ganhar muito com isso.
No Brasil, ainda há o risco de recursos que deveriam custear projetos inovadores e estruturantes para a ação climática financiarem iniciativas de captura de carbono. Para evitar isso, um grupo de 39 integrantes do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável da Presidência da República, o chamado “Conselhão”, pediu restrições a investimentos em tecnologias cujo custo e escala ainda não são viáveis, como a CCS – que passou a figurar entre as atividades passíveis de financiamento do Fundo Clima neste ano.
Cenário Energia e Megawhat também noticiaram o projeto de CCS da Petrobras.





