Observatório do Clima lança pacote de ações para reduzir emissões de metano no Brasil 

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Observatório do Clima lança pacote de ações para reduzir emissões de metano no Brasil 

O Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG) do Observatório do Clima lançou ontem (18/8) o caderno “Soluções para Redução das Emissões de Metano no Brasil”. O relatório apresenta 37 soluções concretas para reduzir as emissões desse gás nos principais setores poluidores. O metano (CH4) é 28 vezes mais potente que o dióxido de carbono num período de 100 anos, o que torna seu peso relevante nas mudanças climáticas.

Enquanto parte das emissões brasileiras de CO2 recuou nas últimas duas décadas com períodos de redução do desmatamento, a trajetória do metano segue no sentido contrário e cresce de forma sistemática, destaca a Exame. Em 2024, o Brasil lançou 21 milhões de toneladas de CH4 – similar a 571 milhões de toneladas de CO2 equivalente (MtCO2e) – na atmosfera, segundo cálculos do SEEG, o que faz do país um dos maiores emissores globais. A agropecuária responde por 75% dessas emissões de metano.

Há cinco anos, na COP26, em Glasgow, o Brasil assinou o Compromisso Global de Metano, tratado internacional que prevê reduzir as emissões do gás em 30% até 2030. Desde então, porém, o levantamento do Observatório do Clima indica que o volume emitido pelo país não parou de crescer, o que distancia o Brasil da meta assumida no acordo, explica o g1.

As soluções reunidas no relatório são direcionadas a quatro setores: Agropecuária, Resíduos, Mudança de Uso da Terra e Florestas, e Energia. As ações mapeadas incluem ações de planejamento, financiamento, governança, operação, monitoramento, entre outras, informa o Brasil de Fato.

Em 2024, o setor da agropecuária liberou 15,7 milhões de toneladas de metano, e mais de 90% disso derivou da criação de gado. O caderno lista 15 propostas, elaboradas pelo Imaflora, que exigem envolvimento dos diversos setores, incluindo os setores produtivos, governos, instituições financeiras e Academia, informam Canal Rural e Space Money. As ações envolvem desde mudanças no manejo de animais e dos resíduos, passando pelo planejamento territorial, até a intensificação de assistência técnica e acesso ao crédito.

O setor de Resíduos é o segundo mais impactante, com 16% do total de metano emitido pelo país , com aterros e lixões respondendo por 68% das emissões do segmento. As 12 soluções propostas foram elaboradas pelo ICLEI América do Sul e consideram redução na geração e no desperdício, encerramento de lixões, ampliação de coleta seletiva e aproveitamento energético, entre outras.

O setor de Mudança no Uso da Terra (MUT) e Florestas ficou em terceiro lugar, com 5,5% do total de metano do país. O fogo é o único processo causador de emissões na contabilidade oficial do setor. Por isso, as cinco soluções elaboradas pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) são focadas em monitoramento, prevenção e combate a incêndios na vegetação nativa.

Já o setor de Energia responde por 2,6% das emissões de metano, e a maior parte delas vem da cocção em residência (53%), seguidas pela produção de combustíveis (27%). O Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) indica cinco soluções para essa frente, sendo quatro delas sobre vazamento e desperdício na cadeia de petróleo, gás e carvão.

“Já estamos ultrapassando o limite de aquecimento estabelecido no Acordo de Paris e sentimos as consequências pelo planeta. Reduzir o metano é uma ação crítica para se retornar à normalidade climática. Temos à disposição um amplo conjunto de soluções para fazer isso, mas o Brasil precisa transformar esse conhecimento em ação coordenada e com escala”, reforçou David Tsai, coordenador do SEEG.

Globo Rural, Pará Terra Boa e Cenário MT também repercutiram o caderno de soluções do SEEG para as emissões de metano no Brasil.