Agrizone da EMBRAPA servirá como base para “disputa de narrativa” do agro durante a COP30

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Agrizone da EMBRAPA servirá como base para “disputa de narrativa” do agro durante a COP30

Para trazer o agronegócio para “conversar” na COP30, a EMBRAPA, órgão vinculado ao governo federal, criou a Agrizone. A Agrizone ficará a menos de 2 km do pavilhão oficial do evento e funcionará como feira de exposição, promovendo debates e abrigando salas de negócios. A área será, inclusive, sede provisória do Ministério da Agricultura durante a conferência do clima.

O espaço terá investimento milionário. Sua “patrocinadora master”, ninguém menos que a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), pagará cerca de R$ 2,5 milhões. Nestlé e Bayer também apoiam em nível “diamante”, cada uma com R$ 1 milhão.

Segundo a Repórter Brasil, a CNA defende o conceito de “agricultura tropical”, sistema de plantio que inclui práticas como integração lavoura-pecuária-floresta como solução climática. Além da Agrizone, a entidade terá estande próprio na COP30 e pretende organizar visitas a fazendas da Amazônia para diplomatas, jornalistas e parlamentares.

Tem mais agro a caminho de Belém. No Estadão, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável (MBPS) afirma que será a “a voz da pecuária sustentável do Brasil para o mundo”. A associação quer posicionar a pecuária brasileira como componente estratégico para a segurança alimentar mundial. Já as emissões de metano do rebanho bovino brasileiro não foram mencionadas.

Além disso, é curioso, para dizer o mínimo, tendo em vista que mais de 60% da área ocupada pela pecuária no Brasil – cerca de 179 milhões de hectares – é composta por pastagens degradadas ou em processo de degradação. Estima-se que a produtividade das pastagens brasileiras atinja apenas 34% do seu potencial.

O fato é que o lobby agropecuário tem se intensificado às vésperas da COP30 por causa da crescente pressão internacional, que ameaça as exportações do país. A União Europeia, por exemplo, aprovou uma lei que exige comprovação de que as safras brasileiras importadas não foram cultivadas em terras desmatadas, lembra a Bloomberg.

Para os críticos, a narrativa do setor é enganosa, tendo em vista sua indiscutível associação com a expansão do desmatamento, uso intensivo de agrotóxicos e emissão de metano. O que mostra o risco da Agrizone para a EMBRAPA, que tem histórico de excelência em pesquisas agropecuárias no Brasil.

“O que não pode é a Agrizone virar uma plataforma para o setor dizer que não desmata ou que só precisa de dinheiro para adaptação, porque [produtores rurais] estão sendo prejudicados pelo aquecimento global que não causam. Isso não é verdade: o agro contribui para o aquecimento global”, avalia Claudio Angelo, coordenador de Política Internacional do Observatório do Clima.

Com o recente ataque à Moratória da Soja, cresce a ameaça de avanço do agronegócio sobre as florestas. “Sabemos que a moratória combateu o avanço da soja na floresta e nos territórios, então não parece ser uma decisão que ajude em proteção e conservação [da Amazônia]”, afirmou o secretário nacional de Direitos Territoriais Indígenas do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Marcos Kaingang, na Agência Pública. O acordo deve se encerrar a partir de 1º de janeiro de 2026.

A Repórter Brasil publicou na íntegra as respostas da EMBRAPA acerca da Agrizone.