Maior produtora de proteína animal do mundo, a JBS é alvo de denúncias apresentadas na 5ª feira (5/11) em quatro países europeus por suspeitas de lavagem de dinheiro relacionada ao desmatamento ilegal na Amazônia. As acusações foram encaminhadas por organizações que integram a Coalizão Jurídica Transnacional (TLC, sigla em inglês), que também denunciou bancos — entre eles, Barclays e Standard Chartered —, investidores e prestadores de serviços ligados à companhia.
As denúncias se baseiam em uma investigação encomendada à organização AidEnvironment, que associou a cadeia de fornecedores diretos e indiretos da JBS a mais de 6,5 milhões de hectares desmatados na Amazônia desde 1988. Desse total, cerca de 3,4 milhões de ha estão relacionados a fornecedores diretos, e outros 3,2 milhões de ha a fornecedores indiretos, detalha o Brasil de Fato. A maior parte do desmatamento identificado ocorreu antes de agosto de 2008.
As queixas foram apresentadas pela TLC junto aos reguladores financeiros na Holanda, no Reino Unido, na Alemanha e na Irlanda, informam O Globo, g1, Repórter Brasil e Bloomberg Línea. A coalizão alega que o gado criado em terras desmatadas ilegalmente pode ser tratado como um “bem de origem criminosa,” e que recursos transferidos pela JBS e instituições financeiras poderiam ser enquadrados dentro da legislação europeia de combate à lavagem de dinheiro.
As ações incluem uma notícia-crime contra a holding da JBS na Holanda, apresentada ao Ministério Público local. Uma empresa da JBS no Reino Unido também foi alvo de uma representação perante a National Crime Agency. Barclays, Standard Chartered, Banco do Brasil, Rabobank, ING, BlackRock, EY e KPMG estão entre as firmas citadas em pedidos submetidos a diferentes reguladores financeiros europeus.
O uso da legislação de combate à lavagem de dinheiro na Europa é uma abordagem nova para os grupos que no passado focaram sobretudo nos registros de desmatamento. A estratégia legal foi em parte possibilitada por uma reorganização feita pela JBS em 2025, quando estabeleceu uma holding sediada na Holanda como parte de um processo de listagem de suas ações em Nova York.





