O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) determinou a ampliação dos esforços da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) para proteger três aldeias do povo Guarani-Kaiowá no Mato Grosso do Sul. Os indígenas denunciaram ameaças e episódios de agressão após o 2º turno das eleições presidenciais, em 25 de outubro. O efetivo de 145 agentes permanecerá na região por tempo indeterminado.
Por enquanto, a FNSP está atuando nas aldeias Sassoró, em Tacuru; Taquaperi, em Coronel Sapucaia; e Limão Verde, em Amambai. Segundo os indígenas, gravações de áudio começaram a circular após o resultado, com ameaças às comunidades em razão da vitória do presidente Lula (PT), que obteve grande apoio do eleitorado indígena na disputa contra o senador (e atual fugitivo) Flávio Bolsonaro (PL).
Em uma das gravações, um suposto servidor da prefeitura de Tacuru teria sugerido colocar veneno na água consumida pelos indígenas. “Tem que matar essas pragas na água”, disse o autor da gravação. A Polícia Federal confirmou que dois servidores admitiram a autoria dos áudios, mas negaram a intenção de colocar a ameaça em prática. Segundo a prefeitura, os funcionários foram afastados preventivamente; o prefeito, Rogério Torquetti (PSDB), publicou um vídeo pedindo desculpas à comunidade indígena, segundo o g1.
No último final de semana, uma comitiva ministerial visitou o Mato Grosso do Sul para avaliar a situação dos Povos Indígenas no sul do estado. Os ministros Eloy Terena (Povos Indígenas), Janine Melo (Direitos Humanos e Cidadania) e Wellington César Lima e Silva (Justiça) visitaram as aldeias Taquaperi e Sassoró, onde conversaram com indígenas sobre as ameaças. O grupo também conversou com autoridades estaduais e integrantes das forças policiais sul-matogrossenses.
“Todas as providências necessárias foram adotadas nos casos específicos, que já estão em estágio avançado de investigação, e a responsabilização ocorrerá nos termos devidos. É importante ressaltar também que a Força Nacional está adotando um procedimento em que estará sempre no terreno para se deslocar até o local em que aconteça qualquer ocorrência com aparência criminosa ou severa”, disse o ministro Lima e Silva, citado por O Globo.
A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) contabilizou mais de 30 denúncias de violência contra indígenas desde a eleição. Segundo o g1, entre as denúncias estão mortes em Naviraí, atropelamentos em Coronel Sapucaia, ameaças e mortes e manifestações racistas. Já a Secretaria de Justiça e Segurança Pública do MS minimizou as ameaças, ressaltando que as forças de segurança atuam quando acionadas para preservar a ordem pública, prevenir conflitos e garantir a segurança das pessoas envolvidas.
Agência Brasil, Amazonas Atual, Brasil 247, Exame, O Pantaneiro e Revista Fórum, entre outros, também repercutiram a situação dos indígenas no sul do MS.





