Aquecimento acima de 1,5°C acarretará danos irreversíveis a geleiras, diz ONU

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Aquecimento acima de 1,5°C acarretará danos irreversíveis a geleiras, diz ONU

A ultrapassagem do limite de aquecimento de 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais (conhecida como overshoot), que deve ocorrer nos próximos anos, causará danos irreversíveis às geleiras em todo o mundo, segundo um novo relatório do Programa da ONU para o Meio Ambiente (PNUMA) e da International Cryosphere Climate Initiative (ICCI). Os impactos, no entanto, não são totalmente permanentes: se reduzirmos ao máximo o tempo de overshoot, é possível que algumas massas de gelo se recuperem.

Produzido por um grupo de mais de 80 cientistas, o relatório visa subsidiar os negociadores da COP31, que acontece a partir da próxima 2ª feira (9/11) em Antália (Turquia). De acordo com a análise, o futuro da criosfera — o conjunto de todas as regiões da superfície da Terra onde a água se encontra em estado sólido — depende da rapidez com que a humanidade reduzirá suas emissões de gases de efeito estufa em quantidade significativa para conter o aquecimento do planeta.

Considerando o cenário atual e sua projeção para o futuro, a situação é preocupante. Um aquecimento de 1,5°C, limite mais ambicioso do Acordo de Paris, acarretaria danos permanentes às massas de gelo, como o derretimento de geleiras, resultando na elevação do nível do mar e em ameaças à segurança hídrica global. As calotas polares na Groenlândia e na Antártica, por exemplo, que estão derretendo cerca de seis vezes mais rápido hoje do que na década de 1990, continuariam a perder gelo mesmo em um overshoot breve e no retorno do aquecimento máximo a 1,5°C.

Segundo o relatório, o cenário ideal seria limitar o aquecimento a menos de 1°C até 2150, o que permitiria uma recuperação parcial da criosfera. Sob um aquecimento de 0,8oC, cerca de 70% do volume atual das geleiras ficaria preservado. De toda forma, essa recuperação levaria séculos, ou mesmo milênios, para acontecer.

Para os cientistas, o colapso das massas de gelo já é uma realidade que ameaça a vida de milhões de pessoas, como as enchentes históricas de agosto passado no Nepal e na China tornaram evidentes. Isso reforça a urgência de se reduzir as emissões de gases de efeito estufa o quanto antes.

“Este ano, já vimos uma das maiores e mais mortais avalanches de gelo já registradas, na fronteira entre o Nepal e a China, que matou milhares de pessoas e causou danos equivalentes a 10% do PIB do Nepal em um único evento. [Por sua vez] a Suíça perdeu 20% do gelo de suas geleiras nos últimos cinco anos, e espera-se que milhares de geleiras em todo o mundo desapareçam na próxima década”, afirmou James Kirkham, glaciologista do ICCI e principal autor do estudo, ao Guardian.

O estudo do PNUMA e ICCI também foi destacado por CNN Brasil, Ecodebate, Exame, Folha, g1 e VEJA.