Incêndios têm queda de quase 80% no Amazonas durante o mês de outubro

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Incêndios têm queda de quase 80% no Amazonas durante o mês de outubro

Depois da explosão dos números de incêndios no Amazonas no começo deste mês, as informações mais recentes indicam que a situação parece estar se normalizando. A Crítica destaca dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) que mostram uma queda de quase 80% no número de focos de calor ao longo de outubro no estado, passando de mais de 1,2 mil entre os dias 5 e 12 para 250 na última semana. A escalada do fogo causou uma crise de saúde pública na região de Manaus e em outras cidades, que enfrentaram densas plumas de fumaça.

A queda no número de focos de incêndio acontece depois de um reforço por parte do governo federal nas ações de combate ao fogo e na fiscalização contra novos focos potenciais. O IBAMA e autoridades do Amazonas indicaram que a origem dos incêndios é criminosa, já que o governo estadual proibiu o uso do fogo para manejo do solo no começo de setembro.

A crise se intensificou a partir de 5 de outubro, logo após o 1o turno das eleições, quando Flávio Bolsonaro (PL), inimigo declarado da Floresta Amazônica, saiu liderando a corrida presidencial. Uma das linhas de investigação sobre a origem dos incêndios no AM indica que as pessoas por trás do fogo se aproveitaram do momento político do 2o turno, tanto para o governo do estado quanto para a Presidência da República, para aumentar a tensão política, com a expectativa de impunidade.

Na 3a feira (27/10), a Polícia Federal prendeu em flagrante Paulo Peixoto de Lima, irmão do ex-prefeito de Borba, Simão Peixoto (MDB), na Operação Fagulho, que investiga suspeitas de incêndio e degradação ambiental em uma área rural do Amazonas. O suspeito foi detido por posse irregular de arma de fogo. Os agentes também apreenderam dinheiro em espécie, armas e munição, detalham BNC Amazonas e g1.

No entanto, a diminuição do fogo no Amazonas não deve aliviar a situação da poluição do ar em Manaus. Isso porque os registros de incêndios florestais e queimadas se multiplicaram nos últimos dias no vizinho Pará. O estado concentrou mais da metade dos focos de queimadas em andamento no Brasil no domingo e na 2a feira (25 e 26/10), informa a Folha. Segundo o INPE, o Pará somou 937 dos 1.645 focos registrados no país inteiro. Desse total, 164 foram no município de Uruará; 96 em Santarém; 80 em Aveiro; e 73 em Mojuí dos Campos.

O g1 destaca que a fumaça dos incêndios é tão densa que impediu a decolagem de seis aviões contratados pelo IBAMA para combater o fogo. As aeronaves do modelo Air Tractor, que lançam água sobre as chamas, não conseguiram deixar o aeroporto de Santarém por conta da baixa visibilidade.

Uma estação de monitoramento do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), que utiliza dados da plataforma PurpleAir, registrou uma concentração de 205 microgramas por metro cúbico (µg/m³) de material particulado fino (PM2,5) na manhã de 3a feira (27) em Santarém. O limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 15 µg/m³. Moradores de diversas regiões do município relataram ao g1 problemas causados pela fumaça, como irritação nos olhos e dificuldade de respirar.