O fim da pandemia não freou a desinformação em saúde no Brasil, que passou a abordar novos assuntos e incorporar ferramentas. O foco das notícias falsas migrou da covid-19 para assuntos que impactam diretamente a rotina e o bem-estar da população, como vacinas, dengue, diabetes, câncer e nutrição.

O alerta está em um estudo do observatório Lupa, que analisou quase uma década de checagens sobre saúde no Brasil. Entre 2017 e junho de 2026, a instituição examinou 764 alegações, constatando que mais de 87% delas eram falsas.
Ferramentas diferentes
Segundo os pesquisadores, as táticas continuam praticamente as mesmas, mas com ferramentas diferentes. Agora, a desinformação passou a circular também em vídeos manipulados, conteúdos criados com inteligência artificial, anúncios pagos e publicações patrocinadas. Antes da pandemia, eram comuns as promessas de cura feitas com chás, alimentos e receitas caseiras. Com a chegada da covid-19, ganharam força os boatos sobre vacinas, tratamentos e medidas de prevenção. Mesmo depois da crise sanitária, os imunizantes continuaram no centro de muitas notícias falsas.
O levantamento também mostra que são frequentes as mensagens que associam vacinas, medicamentos ou tratamentos a doenças graves e até risco de morte. Muitas vezes, esses conteúdos usam a imagem de médicos, supostos especialistas ou estudos científicos para parecerem mais confiáveis.
WhatsApp lidera
Quando o assunto é circulação, o WhatsApp segue liderando com folga. A plataforma apareceu em mais de 70% das checagens analisadas. Facebook, Instagram e sites completam a lista dos principais canais. Muitas dessas publicações têm como objetivo vender produtos ou serviços, especialmente os que prometem controlar ou até curar doenças como o diabetes.
O estudo também identificou o uso cada vez mais frequente da imagem e do nome de pessoas conhecidas para dar credibilidade a conteúdos enganosos, em uma tentativa de tornar a mentira mais convincente e aumentar o alcance das publicações.
2:47





