Um trio de furacões avançava pelo Oceano Pacífico ontem (3/9), em um fenômeno raro, atribuído por cientistas às águas aquecidas por um El Niño que tende a ser o mais forte já registrado (leia aqui). A tempestade tropical Marie ganhou força e se transformou em furacão na costa da Baixa Califórnia, no México. Ela alinhou-se atrás dos poderosos furacões Karina e Lowell, que seguiam rumo ao oeste pelo Pacífico, afastando-se do continente americano.
Na 4ª feira (2/9), Lowell atingiu a categoria 5, a mais alta, na escala Saffir-Simpson de classificação de furacões, enquanto se deslocava para oeste, seguido por Karina, de categoria 4, informam Estadão, DW, MetSul e Correio do Povo. Enquanto Karina deve enfraquecer nos próximos dias, o Lowell “deve permanecer um grande furacão” enquanto avança para oeste, segundo o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC, sigla em Inglês).
“As ondulações provocadas por Lowell provavelmente causarão condições de maré e correntes de retorno com risco de morte em partes das ilhas do Havaí nos próximos dias”, afirmou o NHC, acrescentando que suas previsões de trajetória e intensidade de longo prazo eram “mais incertas do que o habitual”. O Havaí ainda se recupera dos impactos do furacão Lala, que passou próximo à parte sul da Ilha Grande no mês passado, trazendo ventos destrutivos e graves enchentes repentinas.
A leste de Lowell e Karina estava a tempestade Marie, que ontem se encontrava a cerca de 600 quilômetros a sudoeste da ponta sul da Baixa Califórnia. A previsão é de que Marie ganhe mais força até hoje, segundo a agência estadunidense.
“O aquecimento provocado pelo El Niño cria as condições para essas tempestades, que são alimentadas em grande parte por águas quentes. Quando o Pacífico tropical está mais quente do que o normal, observamos um aumento no número de tempestades intensas”, explicou Julia Cole, cientista do clima da Universidade de Michigan e líder do estudo que mostra que as mudanças climáticas estão intensificando o fenômeno.
Uma situação semelhante à atual ocorreu em 2015, outro ano de El Niño intenso. Na época, os furacões Kilo, Ignacio, Jimena e a depressão tropical 14E – estágio inicial de um ciclone – atravessaram o Pacífico simultaneamente.





