A Petrobras divulgará seu resultado financeiro do 2º trimestre hoje (6/8). Analistas ouvidos por Veja, InfoMoney e Investidor10 no fim de julho projetaram um lucro líquido variando de US$ 8 bilhões a US$ 9,5 bilhões (R$ 41,1 bilhões a R$ 48,8 bilhões) para a petrolífera. Parte desses ganhos, segundo os especialistas, deve-se à disparada dos preços do petróleo no mercado internacional, causada pelos ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã, iniciados em 28 de fevereiro.
Mas não foi só a estatal brasileira que ganhou com o conflito. Uma análise do Guardian mostra que oito das maiores petrolíferas do mundo acumularam lucros de US$ 93 bilhões (R$ 478,2 bilhões) em apenas três meses. Foi quase o dobro do registrado no 2º trimestre de 2025, quando Aramco, BP, Shell, Equinor, TotalEnergies, Eni, Chevron e ExxonMobil lucram pouco menos de US$ 50 bilhões (R$ 257 bilhões).
Enquanto as empresas de petróleo e gás fóssil lucraram muito mais com o choque do petróleo, governos em todo o planeta foram obrigados a gastar mais dinheiro público para segurar preços de derivados. Ou tiveram de racionar combustíveis por falta de oferta. Ou usaram mais carvão para gerar eletricidade, aumentando as emissões de gases de efeito estufa. Uma conta financeira e climática paga por toda a população mundial, enquanto acionistas das petrolíferas calculam quantos dividendos a mais receberão.
O levantamento sugere que as oito petrolíferas obtiveram um lucro superior a US$ 700 mil (R$ 3,6 milhões) por minuto durante o trimestre passado. Enquanto suas avaliações de mercado aumentavam em cerca de US$ 600 bilhões (US$ 3,1 trilhões), chegando a mais de US$ 3 trilhões (R$ 15,4 trilhões), as temperaturas do planeta se intensificavam, levando a uma série de ondas de calor mortais, todas mais prováveis e mais severas pela queima de combustíveis fósseis. Por isso os lucros inesperados da guerra reacenderam os apelos para que o Big Oil pague pelos danos ambientais e climáticos causados por lucrar com a miséria humana e financie uma transição rápida para energias renováveis.
O caso da saudita Aramco é exemplar em mostrar como essas empresas não perdem mesmo em cenários desfavoráveis. Mesmo com parte de sua infraestrutura destruída pelo conflito e com as interrupções nas suas rotas de exportação causadas pelo fechamento do Estreito de Ormuz, a Aramco teve lucro líquido ajustado de US$ 33,4 bilhões (R$ 171,7 bilhões) de abril a junho. O valor é 33% maior que os US$ 25,2 bilhões (R$ 129,6 bilhões) registrados em igual trimestre do ano passado, destaca o New York Times.
A produção de combustíveis fósseis da Aramco a tornou responsável por mais emissões do que qualquer outra empresa na história, segundo o banco de dados Carbon Majors, seguida pelas estadunidenses Chevron e ExxonMobil, e com as britânicas Shell e BP completando o top 10. Além disso, a Arábia Saudita lidera há décadas esforços bem-sucedidos para bloquear e atrasar ações climáticas internacionais. O país foi um dos que bloqueou a menção ao mapa do caminho para além dos combustíveis fósseis nos documentos finais da COP30, em Belém.
“Chegou a hora de fazer com que as gigantes do petróleo paguem para reparar a crise climática que estão causando. Pensem em quantas defesas contra incêndios e inundações poderíamos construir, ou quantos painéis solares poderíamos instalar, se as petrolíferas pagassem a sua justa parcela”, destacou Patrick Galey, responsável pela área de combustíveis fósseis na Global Witness.





