Incêndios na Espanha se tornaram 20 vezes mais prováveis sob mudanças climáticas, diz estudo

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Incêndios na Espanha se tornaram 20 vezes mais prováveis sob mudanças climáticas, diz estudo

As mudanças climáticas causadas pela queima de combustíveis fósseis “anabolizaram” as chances de ocorrência dos incêndios florestais que devastaram partes da Espanha e da França no último mês, de acordo com estudo de atribuição da rede World Weather Attribution (WWA) divulgado na última 5ª feira (30/7).

Segundo a análise, os incêndios na região de Gironda, na costa sudoeste da França, tornaram-se pelo menos duas vezes mais prováveis sob as atuais condições de aquecimento global. Já o fogo nos arredores de Madri seria virtualmente impossível sem as mudanças climáticas, que o tornaram pelo menos 20 vezes mais provável. 

Com o planeta cerca de 1,4°C mais quente do que no período pré-industrial, a ocorrência desses eventos tornou-se muito mais frequente. De acordo com a WWA, um incêndio com a intensidade que atingiu Bordeaux pode ocorrer a cada 20 anos; no caso do fogo em Madri, a cada seis anos. 

“O que é singular nos incêndios de julho na Espanha e na França é que ainda estamos no início da temporada e, com outra onda de calor iminente, essas descobertas são extremamente assustadoras. O que estamos vendo é um sinal claro dos impactos crescentes do aquecimento global [causado pelo homem]”, ressaltou Clair Barnes, pesquisadora do Imperial College London e uma das autoras do estudo, ao Guardian.

O estudo também ressalta outro fator por trás da força dos incêndios de julho na Europa Ocidental, os invernos e primaveras mais chuvosos. Segundo a análise, as condições mais úmidas na temporada chuvosa estão impulsionando o crescimento da vegetação, que resseca no outono e se incendeia no verão. 

“Quando incêndios florestais eclodem simultaneamente em diferentes regiões, fica claro que as mudanças climáticas provocadas pelo homem não estão apenas aumentando a probabilidade de incêndios extremos, mas também sua sincronicidade”, comentou Andreia Ribeiro, cientista do clima do Helmholtz Center (Alemanha) e outra autora do estudo, à Folha. 

Com a recorrência desse tipo de evento, outra preocupação levantada pelos pesquisadores da WWA é a poluição atmosférica decorrente do fogo. Como a pesquisadora María José Sanz, do Centro Basco de Mudança Climática, ressaltou ao g1, os incêndios liberam poluentes, especialmente partículas finas, e podem obrigar milhares de pessoas a permanecer em suas casas devido à piora da qualidade do ar. “Esses incêndios vão passar a fazer parte da nossa realidade”, observou.

O estudo de atribuição também foi destacado por veículos como AFP, Associated Press, Bloomberg, El País, Euronews, Independent, Mongabay e Reuters.