Investigação revela relação corrupta entre PMs e garimpeiros na Terra Yanomami

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Investigação revela relação corrupta entre PMs e garimpeiros na Terra Yanomami

O garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami contava com o apoio de dentro da Polícia Militar de Roraima. Uma investigação revelou como os garimpeiros se infiltraram em quartéis para aliciar PMs, que eram pagos para executar desafetos e acompanhar a situação judicial de presos conhecidos.

De acordo com o g1, as investigações começaram a partir do assassinato de José Roberto Souza da Silva, em maio de 2024. A vítima fazia parte do grupo liderado pelo empresário e garimpeiro Lidivan Santos dos Reis, mas havia se tornado informante da polícia após se desentender com os criminosos.

Peritos encontraram um relatório de inteligência militar no carro de José Roberto após a morte dele. O documento detalhava a atuação do grupo criminoso na Terra Yanomami e a estrutura de segurança e de armamento da operação garimpeira. Com base nessa informação, investigadores da Polícia Civil de Roraima abriram um inquérito para apurar as conexões do grupo com agentes de segurança pública do estado.

As investigações mostraram que a execução de José Roberto teria sido cometida por policiais militares contratados pelos garimpeiros. O primeiro-sargento Anemésio Silva da Cunha teria negociado valores pelo crime; já o segundo-sargento Starley Vieira da Silva teria coordenado a logística e o recebimento do dinheiro; e o terceiro-sargento Everson Brasil da Silva teria se encarregado da execução em si. Os três policiais foram afastados pela PM-RR; suas defesas negam participação no crime.

As suspeitas foram reforçadas após a captação de conversas telefônicas que revelaram negociações entre os policiais e os garimpeiros. O g1 obteve os áudios. Em uma das conversas, Starley relatou a Everson que as despesas do grupo seriam custeadas por Lidivan, chamado de “patrão”. Para os investigadores, ele seria o mandante do crime.

Além de executar desafetos, os policiais também eram usados pelos garimpeiros para acompanhar a situação de presos conhecidos na Justiça. Segundo a investigação, Starley usava o Comando de Policiamento da Capital (CPC) como base para monitorar mandados de prisão contra militares.

A Revista Fórum também repercutiu essas informações.