Branqueamento de corais seria impossível sem as mudanças climáticas

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Branqueamento de corais seria impossível sem as mudanças climáticas

Eventos globais de branqueamento de corais não aconteceriam sem as mudanças climáticas, causadas principalmente pela queima de combustíveis fósseis. Além disso, ao contrário do que se acreditava, a ocorrência de um El Niño não é suficiente para causar branqueamento em massa em âmbito mundial, algo que ocorreu quatro vezes na história humana, todas nas últimas três décadas: 1998, 2010, 2014-2017 e 2018-2025.

A conclusão é de um novo estudo, conduzido por pesquisadores do Climate Central e publicado na 5ª feira (23/7) na revista Oceanography. Para chegar ao resultado, a pesquisa analisou esses quatro grandes eventos de branqueamento em escala global e como eles coincidiram com o El Niño, informa o The Print.

Durante o evento mais recente (2018-2025), não teria ocorrido quase nenhum branqueamento, mesmo localmente, sem o aquecimento global, destaca o estudo. Das 71 regiões onde o fenômeno foi observado nesse período, apenas um teria apresentado risco moderado de branqueamento em um mundo sem mudanças climáticas, destaca a Folha.

Todos os eventos globais de branqueamento coincidiram, parcial ou integralmente, com períodos de El Niño, o que dificulta isolar a influência da mudança climática. No entanto, os pesquisadores usaram um método de atribuição de eventos extremos com múltiplos modelos para compreender como a crise do clima e, especialmente, as emissões de gases de efeito estufa (GEE) impactam o branqueamento. E compararam esse método com o modelo de risco de branqueamento de corais desenvolvido pela Administração Atmosférica e Oceânica Nacional dos Estados Unidos (NOAA, sigla em Inglês).

Foram comparadas duas “versões” do oceano: a atual, 1,35°C mais quente pelo aquecimento global, e uma que simula a temperatura do planeta antes da Revolução Industrial e estima como a situação seria sem as emissões de GEE. Ambas foram analisadas a partir do modelo da NOAA, que analisa o aquecimento marinho acima da máxima média histórica e de forma prolongada, em recortes de 12 semanas. Assim, o cálculo foi aplicado a cem regiões de recifes de coral ao redor do mundo entre 1982 e 2025.

Um segundo modelo estatístico comparou, região por região, o peso relativo do aquecimento global e da variação de temperatura causada pelo El Niño no risco de branqueamento. “Segundo nossa análise, grandes eventos de El Niño agravam o risco decorrente do aquecimento de longo prazo, mas as variações de temperatura do El Niño não seriam, isoladamente, intensas o suficiente para provocar um branqueamento generalizado”, afirmam os autores.

Os pesquisadores também destacam a tendência de aumento no número de regiões sob risco de branqueamento desde os anos 1980. E sugerem que agora muitas regiões estão enfrentando temperaturas estressantes várias vezes a cada década.

Em junho, os oceanos bateram o recorde de calor para o mês. Por isso, Andrew Pershing, diretor da Climate Central e autor principal do estudo, afirma que “quase certamente” estamos a caminho de outro evento global de branqueamento, diante do agravamento das mudanças climáticas, somado ao El Niño, que pode se tornar muito forte no fim deste ano.

“As pessoas subestimam o valor de recifes saudáveis. Eles são lar de um enorme número de espécies, fornecem alimento para muitas comunidades, geram renda com o turismo e ajudam a proteger as costas contra tempestades”, disse Pershing. “Milhões de pessoas e países inteiros dependem de recifes de corais saudáveis para seus meios de subsistência e segurança alimentar”, completou.