A Alemanha planeja cortar mais de € 30 bilhões (R$ 175,6 bilhões) de seu fundo para o clima e a transformação até 2030 e transferir parte desses recursos para o orçamento federal. Segundo um plano financeiro aprovado na 4ª feira (15/7), o governo reduzirá as despesas do fundo em € 19,7 bilhões (R$ 115,3 bilhões) e transferirá mais € 13,2 bilhões (R$ 77,3 bilhões) para o orçamento federal nos próximos quatro anos.
O governo de coligação liderado pelo chanceler Friedrich Merz e pelo ministro das Finanças, Lars Klingbeil, havia anteriormente destinado € 100 bilhões ao fundo – a principal ferramenta do governo alemão para reduzir drasticamente as emissões de carbono do país. Agora, alguns programas apoiados pela iniciativa, como subsídios para bombas de calor e incentivos para promover a mobilidade elétrica, receberão menos recursos, como parte do esforço para diminuir a despesa pública, informa a Bloomberg.
Segundo a Reuters, parte dos recursos retirados do fundo climático vão bancar um pacote de alívio nos custos de energia para empresas e consumidores, no valor de € 13,3 bilhões (R$ 77,9 bilhões), em 2027. Isso inclui um subsídio para as tarifas da rede elétrica, bem como um alívio para indústrias com alto consumo de energia por meio de preços de eletricidade industrial e medidas que ajudem a compensar os custos relacionados à precificação do carbono.
Os custos de energia na Alemanha dispararam desde o início dos ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã, no fim de fevereiro, pressionando ainda mais as indústrias de alto consumo energético e o setor manufatureiro em geral. Mas as empresas alemãs, incluindo montadoras de automóveis e siderúrgicas, já reclamavam antes da guerra que os altos preços da energia as colocavam em desvantagem competitiva.
E a tesourada do governo alemão em recursos para o clima não se restringe aos planos internos. Uma análise do Devex mostrou que a Alemanha não deve cumprir seu principal compromisso internacional de fornecer € 6 bilhões (R$ 35,1 bilhões) anualmente em financiamento climático para países em desenvolvimento.
Especialistas em orçamento alemão estimam que as verbas e equivalentes em subsídios para financiamento climático cairão em 2027 para algo entre € 4,7 bilhões e € 5,3 bilhões (R$ 27,5 bilhões e R$ 31 bilhões) – o mesmo valor previsto para 2026. A diferença projetada reflete um déficit semelhante esperado para este ano, tornando o recuo de Berlim em relação às metas de financiamento climático uma tendência plurianual.





