União Europeia propõe excluir couro de sua lei antidesmatamento

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União Europeia propõe excluir couro de sua lei antidesmatamento

A Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia, propôs excluir o couro de sua lei antidesmatamento (EUDR). A proposta foi anunciada na 2ª feira (4/5) e receberá contribuições do público até 1º de junho. O Parlamento ou o Conselho europeus ainda podem rejeitar as mudanças – que envolvem ainda a inclusão de café solúvel e de derivados do óleo de palma no escopo da legislação, informa a Folha.

A EUDR, que deve entrar em vigor no final do ano após sucessivos atrasos, determina que fornecedores de soja, carne bovina, cacau, café, óleo de palma, borracha e madeira (seja a commodity ou o derivado) comprovem que seus produtos não vieram de áreas desmatadas após 2020, explica o Capital Reset. A mudança proposta protege produtores de bens como bolsas e sapatos, além de pneus recauchutados, certos materiais de embalagens e amostras de produtos.

Jessika Roswall, comissária europeia para o Meio Ambiente, Resiliência Hídrica e Economia Circular Competitiva, afirmou que o esforço é para facilitar a implementação da lei de maneira mais eficiente. No entanto, dois funcionários da Comissão ouvidos pelo Financial Times afirmaram que a exclusão terá impacto negativo no meio ambiente, mas ajudará a competitividade das indústrias na Europa. A indústria europeia de couro e curtumes é dominada por empresas italianas, que fizeram lobby para que peles e couros em geral fossem excluídos da proibição, alegando dificuldade na rastreabilidade, destacam Reuters e Bloomberg.

Segundo Andrea Carta, estrategista jurídico do Greenpeace europeu, a mudança é inaceitável e abre uma brecha para agradar o setor. “A cadeia de suprimentos de couro continua sendo um fator de destruição florestal tanto quanto era quando foi incluída na lei”, afirmou.