O relatório Conflitos no Campo Brasil 2025, lançado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) na 2ª feira (27/4), registrou redução de 28% nos conflitos no campo em 2025 em relação ao ano anterior – 1.593 ocorrências, ante 2.207 em 2024. No entanto, os assassinatos dobraram.
Foram 26 homicídios no ano passado, sendo 16 deles na Amazônia Legal, nos estados de Rondônia (7), Pará (7) e Amazonas (2), detalha a InfoAmazonia. Os demais registros de assassinato ocorreram na Bahia (4), Paraná (2), São Paulo (2), Minas Gerais (1) e Mato Grosso do Sul (1).
Também foram registradas 39 tentativas de assassinato no período, o que reforça o cenário de agravamento dos conflitos. Fazendeiros foram responsáveis por 77% dos registros de ordem ou de execução dos crimes.
Coordenadora da CPT, Maria Petronila avalia que o aumento dos assassinatos na Amazônia – foram oito em 2024 – está ligado às pressões econômicas sobre a região. “É um ciclo. Vem o desmatamento, depois a pecuária, a soja, a mineração. Tudo isso com uma falta de atuação do Estado. É uma violência que já conta com a impunidade. Não há investigação nem punição, então ela se repete”, afirmou.
As disputas por terra seguem como o principal vetor de violência agrária no país (75%), informa a Agência Pública. Foram 1.286 ocorrências, sendo 1.186 referentes à violência pela ocupação e a posse da terra e 100 correspondentes a ações de resistência, como acampamentos, ocupações e retomadas. O relatório elenca também conflitos trabalhistas (159), conflitos pela água (148) e acampamentos, ocupações e retomadas (100).
Dentre os estados, o Maranhão lidera os casos de violência por terra (190), seguido por Pará (142), Rondônia (111) e Bahia (101), detalha a Agência Brasil.
Entre 2016 e 2025, 24.774 trabalhadores no campo foram vítimas de diferentes formas de violência, como assassinatos, ameaças de morte, tentativas de assassinato e prisões, segundo a CPT. Nesses dez anos, os assassinatos no campo atingiram, principalmente, sem-terra (129), indígenas (93), posseiros (38) e quilombolas (31).
E a violência continua em 2026. No sábado (25/4), três homens foram mortos em uma emboscada em Lábrea, no Amazonas, divisa com o Acre. Entre elas, estava um adolescente de 14 anos. As famílias afirmam que as vítimas foram assassinadas a mando de um fazendeiro da região, suspeito de já ter cometido outros atentados contra trabalhadores.
A CPT destaca que a região, conhecida como AMACRO – sigla que reúne Amazonas, Acre e Rondônia -, concentra muita tensão e crimes ligados à disputa por terra.
UOL, Diário de Goiás e 18 Horas também repercutiram o relatório da CPT.





