O discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na 4ª feira – dia 1º de abril, vale lembrar – sobre a guerra de seu país e de Israel contra o Irã causou mais pânico nos mercados globais e fez o preço do barril do petróleo tipo Brent superar US$ 100 e fechar a semana acima desse patamar. Mas, além da escalada dos preços dos combustíveis fósseis, o conflito afeta ainda mais o abastecimento e, de quebra, várias cadeias produtivas além da energia.
Além de petróleo, gás fóssil e derivados, o fechamento do Estreito de Ormuz reduziu o fornecimento de fertilizantes e de produtos petroquímicos necessários à fabricação de itens de uso diário, como sapatos, roupas e sacolas plásticas, explica a CNN Brasil. Essa pressão agora se espalha por todos os cantos do mercado de consumo, à medida em que sobem os preços de materiais como plástico, borracha e poliéster.
O impacto é mais evidente na Ásia, que responde por mais da metade da produção industrial mundial e depende fortemente das importações de petróleo e de outras commodities. “Isso se reflete em tudo, e muito rapidamente: cerveja, macarrão, batatas fritas, brinquedos, cosméticos”, disse Dan Martin, codiretor de inteligência de negócios da Dezan Shira & Associates, consultoria que auxilia empresas internacionais a se expandirem no continente.
Na Coreia do Sul, por exemplo, onde as pessoas, em pânico, têm comprado sacos de lixo, o governo incentivou os organizadores de eventos a minimizar o uso de itens descartáveis. Taiwan criou uma linha direta para fabricantes que ficaram sem plástico, enquanto seus produtores de arroz disseram que podem aumentar os preços porque não conseguem obter sacos selados a vácuo.
No Japão, o choque do petróleo gerou temores de que pacientes com insuficiência renal crônica não consigam receber tratamento devido à falta de tubos médicos de plástico usados na hemodiálise. E fabricantes de luvas da Malásia afirmam que a escassez de um derivado do petróleo necessário à produção de látex ameaça o abastecimento global de luvas médicas.
Sem sinal de fim da guerra, a Agência Internacional de Energia (IEA) prevê que a situação será pior neste mês, informam CNBC e Reuters. Segundo o diretor-geral da IEA, Fatih Birol, a perda de petróleo em abril será maior do que no mês passado, sem falar no gás liquefeito (GNL) e em outros produtos.
Com a continuidade do choque do petróleo, Birol reforça o risco cada vez maior de pressão inflacionária e de queda do crescimento econômico, principalmente em países emergentes. Além disso, se hoje é a Ásia quem mais sofre os efeitos imediatos e mais contundentes da crise, a situação irá se alastrar para outros continentes em breve.
“O maior problema hoje é a falta de querosene de aviação e de diesel; esses são os principais desafios, e já estamos vendo isso na Ásia, mas em abril, ou talvez no início de maio, chegará à Europa”, disse o chefe da IEA.





