Presidência da COP30 quer avançar em debate sobre fim dos combustíveis fósseis

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Presidência da COP30 quer avançar em debate sobre fim dos combustíveis fósseis

Se a licença do IBAMA para a Petrobras explorar petróleo na Foz do Amazonas “queimou o filme” do Brasil nas redes sociais, a presidência da COP30 quer aproveitar o limão e fazer uma limonada. Para isso, articula alternativas para destravar o debate no evento sobre a transição para um mundo com menos combustíveis fósseis.

Parte dessa estratégia, segundo três pessoas envolvidas nas negociações ouvidas pela Folha, é criar um “mapa do caminho” para o “transition away from fossil fuels”, algo semelhante ao que está sendo feito para [tentar] destravar o financiamento climático. O “transition away” foi incluído no Global Stocktake, documento final da COP28 de há dois anos, mas desapareceu no ano passado dos textos da COP29.

O Brasil estuda abordagens para adaptar a estratégia do “mapa do caminho” para o caso dos combustíveis fósseis e avançar no tema em Belém. Uma delas é definir quais países têm mais condições de iniciar primeiro a transição para se afastar do petróleo, do gás fóssil e do carvão.

Nessa linha, estão critérios como responsabilidade histórica (quanto cada país contribuiu ao longo dos anos para agravar a crise climática); capacidade econômica (se é uma nação de economia rica ou pequena); dependência das fontes de energia não renováveis; e qualidade do petróleo, gás ou carvão produzido.

Essa abordagem é criticada porque permite a sobrevivência da indústria petroleira por décadas num planeta sufocado pelas mudanças climáticas, causadas principalmente pela queima de combustíveis fósseis. Mas há outras possibilidades, e a presidência da COP30 quer apostar na de maior adesão.

Uma alternativa seria definir critérios que priorizem o maior impacto climático. Há ainda quem veja a necessidade de uma abordagem focada no setor financeiro por trás dos fósseis. E outros preferem o foco nas empresas privadas, mirando setores e critérios com uma lógica de capital. Ou seja, por meio de mecanismos que penalizem o petróleo e tornem a energia renovável mais barata.

Independentemente da estratégia, a líder do comitê científico da COP30, Thelma Krug, disse à Folha que a conferência deveria reservar 90% das negociações à transição para longe dos combustíveis fósseis e apenas 10% às florestas, como uma forma de fazer jus ao panorama das emissões de gases de efeito estufa. Ela elogia o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), uma aposta do Brasil para o evento, mas diz que a COP não pode deixar de abordar a principal causa do aquecimento do planeta, a exploração e a queima de petróleo, gás e carvão.