Governo deixa combustíveis fósseis e tira biocombustíveis de leilão de eletricidade

0
120
governo-deixa-combustiveis-fosseis-e-tira-biocombustiveis-de-leilao-de-eletricidade
Governo deixa combustíveis fósseis e tira biocombustíveis de leilão de eletricidade

Não dá pra esperar muito do Ministério de Minas e Energia (MME), comandado por Alexandre Silveira, em direção à necessária transição energética justa. Mas impressiona o afã da pasta de “sujar” tudo com combustíveis fósseis, mesmo a matriz elétrica brasileira, uma das mais renováveis do planeta.

A mais nova do MME é a proposta, divulgada na última 6ª feira (22/8), para contratar potência para o sistema elétrico, depois do cancelamento do leilão de reserva de capacidade (LRCAP), previsto para junho. À exceção de hidrelétricas, as demais plantas a serem contratadas serão movidas a combustíveis fósseis, dos tipos mais variados. Biomassa e biocombustíveis ficaram de fora.

A proposta colocada em consulta pública pela pasta de Silveira inclui térmicas a carvão, gás fóssil, diesel e óleo combustíveis. E acaba com a possibilidade de usinas a óleo serem convertidas para etanol e biodiesel, explica a eixos.

A contratação da energia se dará em dois leilões, ambos previstos para março de 2026, informam O Globo, Megawhat, UOL, Agência Infra, Canalenergia, Exame e CNN. O primeiro vai contratar termelétricas existentes a carvão e gás, além de usinas novas a gás, e a ampliação de hidrelétricas. Os projetos precisam entrar em operação entre 2026 e 2030. Já o segundo será exclusivo para plantas existentes a óleo combustível e diesel, com contratos de três anos e início em 2026 e 2027.

A troca de usinas a biocombustíveis por térmicas a fósseis ocorre enquanto a presidência da COP30 tenta pautar a eliminação de petróleo, gás e carvão como um dos temas da conferência, destaca o Jota. Mas, para o governo, o setor de biocombustíveis já está contemplado em outras políticas públicas, como o Combustível do Futuro. Há também receio de que o uso do biocombustível poderia ter impacto nos preços de uma eventual geração de energia. Já o aumento vertiginoso das emissões, ao que parece, não foi levado em conta.

Prova disso é a inclusão das pré-históricas térmicas a carvão, que têm a energia mais cara, os níveis mais altos de emissões e respondem por cerca de 2% do abastecimento elétrico nacional. Mas, na prática, trata-se de uma solução para a termelétrica de Candiota (RS), da Âmbar Energia, controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, que fica livre para participar do certame e retomar seu funcionamento com contrato. A emergência climática que espere.