Se a crise de hospedagem em Belém ameaça a participação de representantes de países na COP30, a situação é pior para a sociedade civil. Por exemplo, a presença de Povos Indígenas na conferência será 50% menor que o previsto pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB).
A COIAB esperava reunir em Belém cerca de 6.000 indígenas de todo o Brasil e de outros países. Contudo, o governo federal anunciou nesta semana um limite de 3.000 pessoas na Aldeia COP montada na Universidade Federal do Pará (UFPA).
“Não era o local que estávamos esperando. Tentamos organizar um local mais próximo de onde vai ser o ponto principal da COP30, por uma questão da mobilidade das lideranças indígenas, mas não conseguimos”, diz à Folha Toya Manchineri, coordenador da COIAB.
Os problemas com a hospedagem expõem a falta de planejamento do governo federal para preparar a capital paraense, avalia o Observatório do Clima. O que se vê agora, a menos de três meses para a COP30, é uma corrida contra o tempo com nuances de improviso e possíveis batalhas judiciais.
De um lado, 17 escolas em Belém estão sendo reformadas para servir de hospedagem, segundo o Jornal Nacional (TV Globo). De outro, a Defensoria Pública do Estado do Pará (DPE) analisa possibilidade de entrar na Justiça contra os altos valores. A informação foi confirmada ao g1 pelo órgão que, junto de mais algumas entidades públicas paraenses, notificou Airbnb, Decolar e Booking com uma série de recomendações, incluindo suspender anúncios.
Tentando apagar (mais) este incêndio, o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, disse que Belém terá quartos “a preços razoáveis”, segundo O Globo. Ao defender a capital paraense, Corrêa do Lago afirmou que nenhuma cidade do mundo está preparada para receber um evento deste porte e até Paris teve problemas similares quando sediou a COP21, em 2015.
A defesa de Belém ganhou um apoio de peso. O prêmio Nobel da Paz, ex-vice -presidente dos Estados Unidos e ambientalista Al Gore, ao lado do presidente da COP30, conclamou delegações e ativistas a irem para a capital paraense em evento no Rio de Janeiro, informou o Estadão.
Uma ausência, porém, é quase certa: o presidente dos EUA, Donald Trump, convidado por Lula nos últimos dias. Negacionista assumido, Trump tirou seu país do Acordo de Paris assim que assumiu o cargo, em 20 de janeiro.
Para a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, Trump não fará [tanta] falta, informa o Valor. Segundo Marina, desde a Eco92, no Rio de Janeiro, os EUA não participam de maneira contundente dos acordos de convenção climática e em muitas vezes “atrapalharam”, exceto nos governos dos presidentes Joe Biden e Barack Obama, após a adesão ao Acordo de Paris.





