A Petrobras promete investir em transição energética há mais de dois anos, mas não entregou nada até agora. Agiu pouco para virar a chave e se tornar uma empresa de energia sob a batuta de Jean Paul Prates, menos ainda com Magda Chambriard no comando. E pelo recado dado a investidores estrangeiros, os planos para fontes renováveis vão continuar só no papel. Segundo a companhia, porque podem reduzir seus ganhos financeiros.
Para a Petrobras, parcerias ou aquisições de ativos relacionados à transição energética podem impactar seu perfil de risco e a taxa de retorno do seu portfólio. A avaliação, feita para investidores internacionais, foi registrada na semana passada num formulário na Securities and Exchange Comission (SEC), órgão dos EUA que regula o mercado de ações, informa o Valor.
“O desenvolvimento de produtos e serviços com baixo carbono está sujeito a incertezas que podem ter um efeito adverso em nossos resultados financeiros esperados”, destacou a empresa no documento. Entre as “incertezas” apontadas pela Petrobras estão as preferências do consumidor influenciadas pelas mudanças climáticas e pela mudanças para fontes de energia mais limpas.
No entanto, essa análise contradiz suas próprias projeções. O planejamento estratégico 2050 da empresa prevê que a demanda por petróleo cairá progressivamente a partir de 2030. Logo, investir na exploração de combustíveis fósseis na foz do Amazonas, como a Petrobras quer, é um risco financeiro muito maior, o de ficar com um ativo encalhado na carteira, do que mudar seu portfólio para fontes renováveis de energia.
As ressalvas da Petrobras quanto à transição energética não são novidade. A empresa fez o mesmo em 2024, com Prates na presidência da empresa. Na época, os focos em renováveis e descarbonização envolviam eólicas offshore, hidrogênio verde e captura, uso e armazenamento de carbono (CCUS). No Plano de Negócios 2025-2029, porém, a petroleira anunciou a priorização de investimentos em etanol e na produção de biocombustíveis.
Vale lembrar que a CEO Magda Chambriard defende explorar mais combustíveis fósseis para supostamente financiar a transição – ou seja, produzir mais petróleo para acabar com o petróleo. Repete a falácia do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que agora diz que a falta de licença do IBAMA para a Petrobras perfurar um poço na foz do Amazonas “dificulta o avanço” da transição no Brasil, informam Valor, Correio Braziliense e Metrópoles. Pois é, uma coisa não tem nada a ver com a outra, conforme analisa Alexandre Gaspari.





