A escalada dos incêndios no Amazonas nas últimas semanas parece ter conexão direta com as eleições, o que sugere motivação criminosa. Enquanto isso, Manaus e outras regiões do estado sofrem com a fumaça gerada pelo fogo, que vem causando dificuldades à população e desafiando o poder público.
Um levantamento do INPE para o g1 indica que, entre os dias 1º e 15 de outubro, foram registrados 1.639 focos de incêndio no AM. Desses, quase 80% estavam localizados em propriedades rurais inscritas no Cadastro Ambiental Rural (CAR). No acumulado de 2026, o número de incêndios na região metropolitana de Manaus cresceu quase 110% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM).
O fogo vem causando problemas no Amazonas desde setembro, quando os primeiros focos foram identificados. No entanto, a partir de 4 de outubro, data do 1º turno das eleições, houve uma explosão de incêndios no estado. Para piorar, as condições climáticas secas na Amazônia, reflexo do “Super El Niño”, dificultam o combate às chamas e intensificam seus efeitos, como a fumaça densa no ar.
Para as autoridades estaduais e federais, os incêndios têm origem criminosa. Desde 9 de setembro, o governo amazonense proibiu o uso do fogo no manejo do solo, mas isso não impediu que o número de focos disparasse. A motivação criminosa também é a principal linha de investigação do IBAMA, que vem se esforçando para apoiar o combate aos incêndios no estado.
“Como tem muitos incêndios, as pessoas vão colocando fogo, ampliando o problema até pela dificuldade que se pode ter em um momento de crise como esse de identificar o crime”, disse Jair Schmitt, presidente do IBAMA. Ele também reforça a hipótese de que as pessoas por trás do fogo estejam se aproveitando do momento político do 2º turno das eleições, tanto para o governo do Amazonas quanto para a Presidência da República, para aumentar a tensão e a apreensão.
“O que temos de relatos das nossas equipes em campo, brigadistas, é desse sentimento de impunidade. Independentemente do cenário político, de determinado candidato vitorioso, as pessoas têm expectativa de impunidade e de não sofrerem nenhum tipo de consequência”, afirmou Schmitt.
Os dados do INPE também indicam que a maior parte dos focos de fogo está em áreas que já foram desmatadas. Quase 53% dos incêndios ocorreram em áreas desmatadas nos últimos três anos, e outros 30% em áreas abertas há mais tempo. Já as áreas com vegetação nativa registraram quase 16% dos incêndios no Amazonas.
O IBAMA já aplicou cerca de R$ 2 milhões em multas e embargou 250 hectares de proprietários que utilizaram fogo sem autorização. Em alguns casos, as chamas avançaram sobre territórios protegidos, inclusive sobre Terras Indígenas.
Com o agravamento dos incêndios no Amazonas, o governo federal ampliou a estrutura de atendimento e de assistência no estado. Segundo o Brasil 247, uma nova base regional da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (FN-SUS) está sediada em Manaus para dar suporte ao atendimento a pessoas com problemas de saúde decorrentes da fumaça e do fogo. Ao mesmo tempo, a Defesa Civil Nacional aprovou novos repasses de R$ 3,5 milhões para apoiar quatro municípios amazonenses atingidos pela fumaça.
O governo federal também intensificou os esforços de combate ao fogo. Neste momento, 13 aeronaves federais estão atuando no Amazonas, em operações que já lançaram mais de 1,1 milhão de litros de água sobre as áreas em chamas desde o último dia 10. Ao todo, 337 focos de fogo foram extintos. As ações também incluem o efetivo das Forças Armadas no combate ao fogo e na fiscalização ambiental, detalha A Crítica.
Amazonas Atual e BNC Amazonas também abordaram os dados do INPE sobre o fogo no AM e a resposta das autoridades estaduais e federais.





