Cada vez mais comuns, ondas de calor gigantescas estão devastando o planeta

0
31
cada-vez-mais-comuns,-ondas-de-calor-gigantescas-estao-devastando-o-planeta
Cada vez mais comuns, ondas de calor gigantescas estão devastando o planeta

Em cerca de seis décadas e meia, as ondas de calor evoluíram de episódios esporádicos e isolados para eventos climáticos massivos e em cascata, capazes de cobrir vastas áreas do planeta por meses ou até mesmo por anos seguidos. É o que mostra uma análise, baseada em dados sobre as temperaturas globais, que revela o surgimento do que a Reuters chama de “tempestades de calor”.

A Reuters relata que a maior onda de calor da década de 1960 atingiu cerca de 6% do planeta, deslocando-se por 46 dias sobre o Oceano Atlântico, partes da América Latina e da África Ocidental. Já a maior onda de calor desta década varreu quase 85% do globo por 367 dias, estendendo-se até as latitudes polares e afetando praticamente todos os seres humanos na Terra.

Há uma explicação para a escolha do termo “tempestade de calor” — definido como ondas de calor que, em seu pico, cobrem pelo menos 1% do planeta, o equivalente a cerca de metade do tamanho do Canadá. “Alguns cientistas se opuseram ao termo porque ‘tempestade’ tem uma definição meteorológica específica. Mas também possui um significado metafórico comum — “uma perturbação grave de qualquer elemento da natureza ”, segundo o dicionário Merriam-Webster — que acreditamos se adequar a esses eventos de calor”, explicou Maurice Tamman, da Reuters.

Sob essa definição, a análise identificou uma transformação surpreendente. “Tempestades de calor” eram raras nos anos 1960, quando a média era de cerca de cinco por ano. Nesta década, “tempestades de calor” têm assolado o planeta, com uma média de cerca de 102 por ano.

Uma delas causou o calor mortal do verão deste ano na Europa, registrando as temperaturas mais altas de junho já registradas em Bordeaux, Budapeste e Bilbao, esta última atingindo 42,7oC. Já a maior onda de calor registrada — aquela que durou 367 dias entre 2023 e 2024 e atingiu quase 85% do planeta — elevou as temperaturas em várias partes do mundo.

A Reuters desenvolveu um rastreador de “tempestades de calor” que ontem (20/10) indicava a ocorrência de duas delas, cobrindo 32,5% do planeta e com possibilidade de durarem ainda muitos dias. Essas “tempestades” afetavam 1,7 bilhão de pessoas, o que corresponde a 21% da população mundial. Além delas, 303 ondas de calor menores cobriam 1,1% do planeta.

Outro novo fenômeno identificado pela Reuters são as “tempestades de calor” que ocorrem consecutivamente, simultaneamente ou ambas — chamadas de “cascatas de tempestades de calor”. A duração dessas cascatas aumentou de cerca de dois meses, em média, na década de 1960 para nove meses no início dos anos 2000. Segundo a Reuters, uma cascata começou em 6 de julho de 2008 e ainda não parou. Ao longo de mais de 18 anos consecutivos, pelo menos uma onda de calor tem assolado o planeta, e frequentemente mais de uma.