Uma pesquisa publicada na semana passada revelou dados preocupantes sobre a geleira Thwaites, conhecida como a “Geleira do Fim do Mundo”. Além dela estar derretendo em um ritmo mais acelerado do que o esperado, sua contribuição potencial para a elevação do nível do mar em todo o mundo é ainda maior do que o projetado por estudos anteriores. Segundo a análise, o derretimento de Thwaites pode contribuir em até 3 centímetros para a subida dos oceanos até 2100, o dobro da média de projeções anteriores.
Como O Globo pontua, a geleira Thwaites tem dimensões comparáveis às do estado do Acre (164,1 mil km2) e contribui atualmente com cerca de 4% da elevação global do nível do mar. Segundo os autores do estudo, publicado na revista Nature Communications, a geleira pode perder o apoio em uma elevação submarina que ajuda a conter seu avanço em direção ao oceano, aumentando o risco de recuo acelerado.
“Há décadas documentamos e quantificamos os impactos das mudanças climáticas sobre os mantos de gelo sensíveis do nosso planeta, mas a percepção crescente, nos últimos anos, do que está acontecendo na parte inferior de geleiras como a Thwaites está provocando uma sensação ainda maior de preocupação”, afirmou Eric Rignot, coautor do estudo e professor de ciências do sistema terrestre da Universidade da Califórnia em Irvine, citado pelo g1.
Segundo Rignot, os pesquisadores desenvolveram um novo modelo que traz uma representação física mais completa da região de Thwaites, considerando os efeitos da entrada de água do oceano sob o gelo. Comparando o modelo com dados de observação de quase três décadas, eles conseguiram reproduzir melhor as mudanças registradas na velocidade, espessura e posição da geleira.
A pesquisa estimou que há 60% de probabilidade da geleira perder, até o fim deste século, o apoio em uma elevação submarina conhecida como Mouginot Ridge. Com isso, ela pode avançar sobre o oceano, acelerando o degelo. O novo modelo estima que a geleira pode contribuir com cerca de 3 cm para a elevação do nível do mar até 2100 — e isso se mantém mesmo no cenário em que não há aquecimento global adicional.
Mas o potencial de Thwaites pode ser ainda mais devastador. Ao todo, o gelo armazenado nessa geleira pode elevar o nível do mar em mais de 60 cm. Considerando também a perda de gelo na costa da Antártica Ocidental, hoje represado pela própria geleira, o colapso pode levar a uma elevação de cerca de 3 metros — por isso a alcunha de “Geleira do Fim do Mundo”.
A CNN Brasil destaca a avaliação de outros pesquisadores, que pontuaram que o estudo pode ser um “divisor de águas” para pesquisas sobre Thwaites. Mas eles alertam que ainda são necessárias mais pesquisas para entender os impactos dos diferentes processos de derretimento da zona de aterramento, principalmente obtendo dados diretos debaixo da geleira.
“A realidade é que ainda precisamos descobrir muito sobre os processos na zona de aterramento para podermos fazer previsões confiáveis sobre a velocidade com que o gelo desaparecerá”, afirmou Robert Larter, geofísico marinho do British Antarctic Survey, que não participou do estudo.
Euronews, Galileu e New Scientist também repercutiram o estudo.




