A Organização Meteorológica Mundial (OMM) reiterou na 5ª feira (3/9) que o El Niño atual poderá ser o mais forte em pelo menos mil anos, com efeitos sobre o clima global que se estenderão além de 2026. Para os cientistas, a junção de mudanças climáticas com o fenômeno poderá fazer com que 2027 supere todos os recordes históricos de temperatura e se torne o ano mais quente já registrado.
Segundo a OMM, há uma “probabilidade excepcionalmente alta, de quase 100%”, de que o El Niño persista até fevereiro do ano que vem. A expectativa é que o fenômeno se fortaleça ainda mais nos próximos meses, atingindo uma intensidade muito forte antes de atingir seu pico, no final do ano. Apesar das projeções sobre impactos potenciais, estes podem ser ainda maiores do que o esperado, já que a intensidade do atual El Niño está acima de qualquer registro histórico dos últimos 150 anos.
Como o Observatório do Clima explica, a anomalia da temperatura do Pacífico equatorial, região onde ocorre o El Niño, alcançou, em média, 1,5oC entre maio e o início de julho e 2°C ao longo de julho. Entre 29 de julho e 19 de agosto, o aumento oscilou entre 2,2oC e 2,6oC, confirmando a intensificação contínua do fenômeno. Calor intenso também foi registrado em águas mais profundas. Em algumas áreas do Pacífico equatorial, as temperaturas subsuperficiais ficaram mais de 8oC acima da média em julho e no início de agosto.
“O El Niño está se intensificando diante de nossos olhos. A ciência não deixa dúvidas: o planeta está navegando em águas desconhecidas, e elas estão aquecendo. As temperaturas da superfície do mar estão subindo, as temperaturas continuam aumentando e o mundo está em uma zona de perigo de eventos climáticos extremos”, alertou o secretário-geral da ONU, António Guterres.
A confirmação de que o El Niño pode ser o mais forte e o mais prolongado reforça o alerta aos governos de todo o mundo sobre os efeitos do fenômeno no clima global. A OMM ressaltou que, em virtude da intensidade fora do normal deste El Niño, está organizando a maior mobilização da história com os serviços meteorológicos e hidrológicos nacionais para monitorar a situação e atuar na prevenção de eventuais desastres climáticos e no apoio à resposta.
“Estamos empenhados em trabalhar em estreita colaboração com os parceiros em todo o sistema humanitário e da ONU para fornecer inteligência climática e informações necessárias para apoiar a gestão de desastres e setores sensíveis ao clima, como agricultura, saúde, energia e recursos hídricos”, afirmou Celeste Saulo, secretária-geral da OMM. “Não temos tempo a perder.”
Nesta semana, o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) também divulgou uma atualização das previsões sobre os impactos do El Niño no Brasil nos próximos meses. Chuvas acima da média histórica deverão ser registradas na região Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, e em partes de São Paulo e do Mato Grosso do Sul.
Já a seca deverá se intensificar nas regiões Norte e Nordeste, em partes do Centro-Oeste e do Sudeste, principalmente em Mato Grosso, Tocantins, no norte de Goiás, em Minas Gerais e no Espírito Santo. O El Niño também deve atrasar a chegada da estação chuvosa na Amazônia e no Pantanal, que costuma ocorrer entre setembro e novembro.
As projeções da OMM sobre o El Niño tiveram grande repercussão na imprensa nacional e internacional, com destaques na Agência Brasil, CNN Brasil, Estadão, Exame, Folha, g1, ICL Notícias, O Globo, RFI, SBT, Veja, ABC News, AFP, BBC, Euronews, Guardian, Independent e Reuters.





