Impasses dificultam acordo sobre secas na COP17 da Desertificação

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Impasses dificultam acordo sobre secas na COP17 da Desertificação

O principal resultado esperado da COP17 da Convenção da ONU sobre Desertificação (UNCCD) não deve se concretizar. Faltando apenas um dia para o encerramento das negociações em Ulaanbaatar, na Mongólia, a expectativa pela criação de um regime global para o enfrentamento de secas é muito baixa, com os Estados Unidos e seus aliados se mantendo intransigentes contra a proposta.

Inicialmente, esperava-se que a COP17 trouxesse avanços no debate, depois dos países não chegarem a um acordo na COP16, em Riad (Arábia Saudita), há dois anos. Na época, os países chegaram a um consenso sobre a necessidade de um instrumento internacional para a gestão de secas, mas ainda havia divergências sobre seu formato e funcionamento – pontos que poderiam ter sido destravados em Ulaanbaatar.

No entanto, os negociadores dos EUA travaram as conversas, sob a justificativa de que as secas são um fenômeno nacional e, por isso, não precisam de um instrumento internacional de ação e resposta. A posição estadunidense foi reforçada por países aliados de Donald Trump na América Latina, como Argentina, Chile e Paraguai.

Segundo a Agência Brasil, a União Europeia também se posicionou contra a proposta, especialmente no que diz respeito ao apoio financeiro requisitado pelos países pobres afetados por secas. O Brasil é a favor da criação desse mecanismo, mas entende que, como o consenso não será possível, o melhor é adiar a discussão para a COP18, que acontecerá no Egito em 2028. Mesmo esse adiamento precisou ser negociado, já que os representantes estadunidenses queriam a exclusão total do tema dos documentos finais.

“Estamos em um momento em que o túnel está escuro, mas acho que sempre haverá uma luz no fim dele. Temos esperança e estamos trabalhando muito para isso”, afirmou Andrea Meza Murillo, secretária executiva adjunta da UNCCD. “Acho que a maioria dos países não pode simplesmente voltar para suas bases eleitorais e dizer que este [seca] não é um desafio comum global e que eles não vão colaborar com a comunidade internacional para enfrentá-lo”.

Já Alexandre Pires, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), é mais reticente, informa a RFI. “Há um contexto geopolítico que está alterando as decisões do multilateralismo de modo geral. Eu tenho muita dúvida se nós vamos conseguir construir um instrumento vinculante”, disse. “A diplomacia do Brasil segue com o cuidado de não perder aquilo em que já avançamos na COP16. O que estamos buscando é não retroceder ao que já foi decidido pelas partes”, completou.