Chance de “Super El Niño” sobe para mais de 90%, aponta a NOAA

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Chance de “Super El Niño” sobe para mais de 90%, aponta a NOAA

No início da semana, dados da Administração Atmosférica e Oceânica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) mostraram que o El Niño já está sob a categoria “forte”, com a anomalia da temperatura no Pacífico Equatorial, ao largo das costas do Peru e do Equador – a região Niño 3.4 – atingindo + 1,8oC. Ontem (13/8), a entidade atualizou sua previsão para o fenômeno. Além de indicar que um “Super El Niño” – quando o fenômeno atinge a classificação “muito forte” – está próximo, a NOAA ampliou a probabilidade de que o evento seja histórico.

Segundo o Centro de Previsão Climática (CPC) da NOAA, há mais de 90% de chance de um evento muito forte durante a primavera e o verão de 2026-27 no Hemisfério Sul, informam Reuters e Folha. Anteriormente, a instituição indicava 81% de probabilidade de um “Super El Niño” neste ano.

Além disso, o CPC projeta que o fenômeno deverá atingir uma intensidade nunca vista em 76 anos de registros, destaca a Bloomberg. “Durante a temporada de outubro a dezembro, há 69% de chance de um evento histórico que excederia a intensidade de eventos El Niño anteriores, desde 1950”, informa o centro. A agência observou que as temperaturas em julho em todo o Pacífico rivalizaram apenas com as de 1997, que também foi considerado um evento marcante.

A ocorrência de um “Super El Niño” não significa necessariamente que haverá consequências mais graves. No entanto, essa classificação aumenta as chances de que os impactos mais característicos do fenômeno ocorram, com tempestades, secas ou ondas de calor mais intensas, a depender da região do planeta.

O planeta já vem registrando eventos extremos mais frequentes e intensos devido às mudanças climáticas, causadas principalmente pela queima de combustíveis fósseis. Como explicou Daniel Aleixo, do ClimaInfo, nem tudo é culpa do “Super El Niño”. Mas o fenômeno tende a agravar essas ocorrências, funcionando como uma espécie de “cereja do bolo” da crise climática.

Mesmo sem um “Super El Niño”, áreas agrícolas na Ásia, na África e nas Américas já vem sofrendo com secas, atrasos no plantio, perdas de lavouras e problemas de abastecimento de água, lista a Veja. Na Índia, que depende das monções para boa parte de sua produção agrícola, as chuvas estavam 12% abaixo da média até agosto. Em algumas regiões, o déficit chegava a 34%.

Na Guatemala, o cenário é ainda pior. A chuva no país ficou até 85% abaixo da média em julho em algumas regiões. O déficit hídrico ocorre junto com temperaturas muito acima do normal, aumentando o estresse sobre as lavouras e as pessoas.

No oeste do Quênia e nas terras altas da Etiópia, períodos de seca já atingem regiões agrícolas. Produtores quenianos de milho relatam colheitas drasticamente menores. Equipes de monitoramento agrícola descrevem plantas que só cresceram até pouco mais da metade da altura habitual e produtividade que pode cair de dezenas de sacas por hectare para apenas uma ou duas – e sem “Super El Niño”, que fique claro.

No Brasil, a expectativa de um fenômeno muito forte já mexe com as projeções de algumas culturas. O levantamento mensal de safra do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou, na pesquisa de julho, uma queda na produção nacional de trigo em 2026, em revisão provocada pelo receio dos produtores com o clima mais adverso com o El Niño, informa o UOL. A safra nacional de trigo, que atende metade da demanda nacional, deve encolher 18,6% na comparação anual, aponta o IBGE.