Propostas de projetos globais de mineração de carvão crescem 11% em 2025, apesar da queda da demanda

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Propostas de projetos globais de mineração de carvão crescem 11% em 2025, apesar da queda da demanda

O número de projetos de mineração de carvão aumentou em quase 11% em 2025 em relação ao ano anterior, atingindo 2,5 bilhões de toneladas por ano. O aumento se deu mesmo com a demanda global pelo combustível fóssil mostrando sinais de estabilização e a entrada em operação de novas minas caindo para o menor nível da década, mostra o relatório Global Coal Mine Tracker (GCMT), do Global Energy Monitor (GEM).

Apesar de estar investindo pesadamente na instalação de usinas movidas a fontes renováveis de energia, a Índia impulsionou o aumento nas propostas de novas minas de carvão no ano passado, destacam Down to Earth, Guardian e Reuters. O crescimento foi impulsionado quase inteiramente pelos estados de Jharkhand e Odisha, que dobraram suas propostas para novas minas de carvão, em consonância com um plano ambicioso do Ministério do Carvão indiano para aumentar a produção do país.

A Índia planeja aumentar sua produção de carvão em quase 100 milhões de toneladas, para 1,15 bilhão de toneladas, no ano fiscal de 2025-26, para ajudar a suprir a crescente demanda de eletricidade do país, impulsionar o crescimento econômico e combater as ondas de calor, que se tornaram mais severas e frequentes devido à crise climática. Crise esta que será agravada se a Índia de fato queimar todo o carvão que pretende produzir a mais, vale lembrar.

Apesar do aumento na capacidade de mineração de carvão, a entrada em operação de novas minas de carvão seguiu na direção oposta em 2025, de acordo com o relatório. Cerca de 113 milhões de toneladas por ano (Mtpa) entraram em operação no ano passado – uma queda de quase 40% em relação às 185 milhões de toneladas por ano do ano anterior, que já havia sido o menor total anual em uma década.

A queda na capacidade de mineração recém-comissionada foi impulsionada principalmente por China e Austrália, onde os acréscimos de capacidade caíram 44% e 96%, respectivamente. Na China, a crescente participação da energia eólica e solar, juntamente com as medidas da Administração Nacional de Energia para fortalecer as inspeções de segurança em minas, tornar mais rigorosas as aprovações de expansão e restringir a produção de carvão, provavelmente contribuíram para a desaceleração, reforça o documento do GEM.

Já na Austrália, a queda na demanda de vários dos principais mercados de exportação de carvão térmico do país – Japão, Coreia do Sul e Taiwan – impacta o conjunto de projetos de mineração do país. A recente proibição de novas minas de carvão “greenfield” em Nova Gales do Sul, estado responsável por aproximadamente 44% da produção australiana de carvão, sugere que a expansão da capacidade produtiva provavelmente permanecerá em níveis mais baixos nos próximos anos.

O GEM destaca que essas tendências apontam para um setor de mineração cada vez mais desconectado dos sinais subjacentes do mercado: embora o crescimento da demanda e a entrada em operação de novas minas estejam desacelerando, um pequeno número de países continua a manter um grande volume de projetos de desenvolvimento de minas. Juntos, apenas cinco países (China, Índia, Austrália, Rússia e África do Sul) respondem por quase 92% do total de projetos globais.

“A justificativa econômica para a expansão da mineração de carvão torna-se progressivamente mais frágil, à medida que a energia renovável e de baixo custo continua a substituir o carvão. Em vez de garantir décadas de produção adicional de carvão, os governos têm a oportunidade de cancelar projetos que ainda estão em fase de desenvolvimento, antes mesmo de avançarem para a construção”, disse Tiffany Means, pesquisadora sênior do GEM e coautora do relatório.