As empresas de petróleo e gás, no Brasil e no exterior, estão encerrando a temporada de divulgação de seus balanços do segundo trimestre com lucros exorbitantes. Com o preço do petróleo em disparada devido aos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, as petrolíferas estão lucrando como nunca. Seus acionistas comemoram. Já a população paga a conta dos subsídios que governos em todo o mundo concedem para segurar a alta dos preços da energia.
Por isso, organizações da sociedade civil realizaram na 4ª feira (12/8), na Praia de Botafogo, no Rio de Janeiro, uma ação para chamar a atenção para o lado negativo dessa conta: os prejuízos econômicos, sociais e climáticos que recaem sobre as pessoas.
Batizada de “Coletiva de Imprensa dos Povos”, a ação aconteceu em frente às sedes da Eneva e da PRIO e reuniu representantes da sociedade civil e de comunidades afetadas. Com púlpito, bandeiras, cartazes e peças publicitárias alusivas às principais empresas do setor, os participantes apresentaram um contraponto aos balanços financeiros divulgados pelas petroleiras nas últimas semanas.
A mensagem central da mobilização é que, enquanto Eneva, PRIO e Petrobras – ao lado das grandes petrolíferas internacionais – lucram bilhões com a exploração de combustíveis fósseis, os custos dessa atividade são transferidos para a sociedade, seja por meio dos impactos da crise climática, dos eventos extremos cada vez mais intensos ou de seus efeitos sobre a economia e o custo de vida.
Enquanto os resultados financeiros e operacionais beneficiam as empresas e seus acionistas, os impactos dos eventos climáticos extremos atingem cidades e comunidades em todo o país. Catástrofes climáticas causaram mais de R$ 550 bilhões em prejuízos diretos no Brasil na última década, segundo levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM). Somente as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul deixaram 185 mortos, afetaram 2,4 milhões de pessoas e provocaram perdas estimadas em R$ 88,9 bilhões.
“As petroleiras lucram bilhões com uma guerra absurda, e somos nós que pagamos a conta no clima, na luz e no prato. Elas gastam milhões em publicidade para fingir que se importam, mas a verdade é simples: a crise climática tem patrocinadores, e esse Super El Niño tem sócios. São essas empresas de combustíveis fósseis”, afirmou João Cerqueira, diretor da 350.org Brasil.
Para os organizadores do protesto, os balanços bilionários do setor contrastam com os custos crescentes da emergência climática e reforçam a necessidade de acelerar uma transição energética justa, reduzir a dependência dos combustíveis fósseis e responsabilizar o setor pelos impactos associados à crise climática.
“A Petrobras não pode continuar tratando a crise climática como um problema para o futuro enquanto celebra lucros excepcionais no presente”, reforça Carolina Marçal, coordenadora de Projetos do ClimaInfo. “Os resultados financeiros da empresa mostram que há recursos e capacidade para liderar uma transição energética justa. Mas isso exige mudar a prioridade: em vez de investir cada vez mais na expansão da fronteira do petróleo, é preciso usar sua força econômica para preparar o Brasil para um futuro além dos combustíveis fósseis.”





