El Niño atinge categoria “forte” e deve se intensificar nos próximos meses

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El Niño atinge categoria “forte” e deve se intensificar nos próximos meses

Já estamos sob o efeito de um El Niño forte, segundo dados divulgados nesta semana pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). Mas o fenômeno deve ganhar ainda mais força nos próximos meses, com possibilidade de registrarmos um dos El Niño mais intensos desde 1950, destaca o Climatempo.

O principal indicador para verificar a ocorrência do El Niño é a temperatura da superfície do mar na porção central e leste do Pacífico Equatorial, ao largo das costas do Peru e do Equador — a região Niño 3.4. A anomalia média deve ficar pelo menos 0,5°C acima da média normal e por pelo menos cinco meses consecutivos.

Segundo a NOAA, a anomalia já está em 1,8°C positiva na região Niño 3.4. As leituras em outras áreas do oceano também apontam para a elevação da temperatura média.

A anomalia já coloca o El Niño atual na categoria “forte”, que vai de +1,5oC a +1,9oC, e próxima da classificação “muito forte” (2,0oC ou mais) – o chamado “Super El Niño”. Isso pode ocorrer entre meados da primavera e o começo do verão no Hemisfério Sul, quando o auge do fenômeno no Pacífico costuma se dar. Para a NOAA, a probabilidade de um El Niño muito forte é de 81%.

O fenômeno não deve se limitar a 2026. A expectativa é de que os padrões do El Niño se mantenham no Pacífico Equatorial ao longo de todo o verão de 2026/2027, o que significa que teremos seus reflexos no clima global pelo menos até o começo do outono do próximo ano, informam Canal Rural, Revista Fórum e Correio Braziliense.

Um dos efeitos do El Niño que deve ser mais recorrente é o de ondas de calor. O Pará Terra Boa destaca a avaliação de especialistas sobre os potenciais efeitos do fenômeno no Brasil, alertando para a falta de atenção do poder público às altas temperaturas no país.

Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) de 14 regiões metropolitanas mostram que, entre 2000 e 2020, pelo menos 50 mil mortes podem ser associadas a ondas de calor. É um número 20 vezes maior do que o de mortes por deslizamentos de terra no mesmo período.

“Isso significa que as ondas de calor ainda são um desastre completamente negligenciado no nosso país. Não tem o impacto de outros tipos de tragédia, em que as mortes são imediatas. Estamos acostumados a achar que, por morarmos em um país tropical, estamos acostumados ao calor. E isso não é verdade”, afirmou Renata Libonati, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e membro do Comitê de Especialistas em Monitoramento Climático da Organização Meteorológica Mundial (OMM).

Outro reflexo do El Niño é a demanda por energia elétrica. Ao mesmo tempo em que as altas temperaturas aumentam o consumo de eletricidade, as secas relacionadas ao fenômeno afetam o nível dos reservatórios das hidrelétricas, forçando o acionamento de termelétricas movidas a combustíveis fósseis para garantir a oferta de energia. O resultado disso é uma tarifa elétrica mais cara, com impacto generalizado na economia. Sem falar no aumento das emissões de gases de efeito estufa.

Isso já está sendo sentido. Segundo o Canal Solar, os preços futuros de energia subiram diante da expectativa de um El Niño mais forte. Os contratos para dezembro avançaram 2,26%, de R$ 293,61 por megawatt-hora (MWh) para R$ 300,25/MWh. Já os contratos referentes ao 1º trimestre de 2027 subiram 2,68% (de R$ 299,08/MWh para R$ 307,09/MWh).

O Estado de Minas destaca a possibilidade das contas de luz começarem a subir já a partir de setembro. A partir daquele mês, a tendência é de um cenário mais seco nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, onde se concentram os principais reservatórios hidrelétricos do país.