
Número de feminicídios cresce no Tocantins e chega a 20 casos em um ano
A violência contra a mulher no Tocantins cresceu no último ano, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026. Conforme o levantamento, em 2025, houve um aumento de 52,8% em casos de feminicídio, se comparado ao ano anterior. Outras ocorrências contra mulheres como ameaça, perseguição, violência psicológica e lesão corporal também cresceram (veja na tabela abaixo).
Segundo o Anuário, o Tocantins havia passado por uma redução de 28,3% no número de feminicídios entre 2023 e 2024. O aumento de mortes em 2025, passando de 13 para 20 vítimas, é um alerta sobre a segurança das mulheres no estado.
“Não existem tantas delegacias especializadas da mulher e muitas vezes a gente sabe que esse número aumentou, mas a vítima, na maioria das vezes, não sabe onde procurar ajuda e essa medida não chega a tempo da necessidade dela. Que esses números venham para que o estado possa tomar medidas mais efetivas”, comentou a presidente da Comissão de Políticas Criminais OAB/TO, Ioná Bezerra.
À TV Anhanguera, a Secretaria de Segurança Pública informou que intensifica as ações de prevenção e que ampliou a Operação Mulher Segura em 2026, que agora tem caráter permanente. O órgão também disse que determinou prioridade à investigação dos crimes de feminicídio e que neste ano os cinco casos registrados tiveram inquérito concluído (veja nota completa abaixo).
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Aliny, Antônia e Daiany estão entre as 66 vítimas de feminicídio no Tocantins em 2025
Reprodução/Redes sociais
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Outros crimes também cresceram
Casos de lesão corporal no contexto de violência doméstica cresceram 5,3% no último ano. Em 2024, o estado registrou 2.209 ocorrências e no ano seguinte, 2.343.
Crimes como stalking, em que o criminoso invade e perturba a privacidade da vítima, aumentaram em 2,3%, e casos de violência psicológica, cresceram em 9,6%.
Segundo a advogada Natália Santos, antes do feminicídio as vítimas passam por outros tipos de agressão.
“Quando a gente chega à situação dessa vítima vir a óbito, em razfo do eminicídio, já teve uma violência exagerada, já teve ameaças, possivelmente já teve agressões, muitas vezes já tem até medida protetiva deferida”.
Os dados também apontam que em 2025 houve um aumento no descumprimento de Medidas Protetivas de Urgência, quando foram registrados 853 casos. No ano anterior foram 699.
Violência contra a mulher no Tocantins
Feminicídios em 2025
No sudeste do Tocantins, em Arraias, a jovem Aliny Pereira de Ornelas, de 25 anos, foi morta por Edivaldo Teixeira Chaves, de 36 anos. Ele tirou a própria vida após o feminicídio, segundo a investigação do caso. Na época, familiares disseram que a vítima e o homem tinham se separado há cerca de dois meses, mas ele não aceitava o fim do relacionamento.
Em dezembro de 2025, Maysa Rodrigues Fernandes Cardoso, de 35 anos, foi morta pelo esposo de 41 anos. A investigação do caso apontou que o homem ficou com o corpo de Maysa por 24 horas antes de enterrá-lo em uma área de mata, em Gurupi, no sul do estado. A filha do casal, de 18 anos, chamou a Polícia Militar (PM) porque desconfiou do sumiço da mãe e da história contada pelo pai.
Em Figueirópolis, a técnica de enfermagem Daiany Batista de Carvalho, de 31 anos, foi assassinada a tiros. Um homem de 38 anos foi preso dois dias depois do crime, suspeito de ser o executor. Ele afirmou que foi contratado por R$ 5 mil para matar Daiany. O ex-vereador de Sandolândia, Genivaldo Mendes da Silva, de 47 anos, suspeito de ser o mandante do assassinato, foi preso.
A jovem Antônia Taynara Sousa Silva, de 20 anos, foi outra da vítima da violência contra as mulheres. Em outubro, ela foi esfaqueada e morta na casa onde morava, em Esperantina. O companheiro, de 47 anos, foi preso pela Polícia Militar, suspeito do crime. A vítima sofria violência doméstica e até a família dela tentou afastá-la do homem, mas ele insistia no relacionamento e os dois acabavam voltando.
Íntegra da nota da SSP
A Secretaria da Segurança Pública do Tocantins (SSP/TO) informa que acompanha de forma permanente os indicadores criminais produzidos por instituições oficiais e entidades de pesquisa, utilizando essas informações para o planejamento e o aperfeiçoamento das políticas públicas de segurança.
Em relação aos dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, a SSP/TO destaca que o próprio levantamento aponta redução de 2,2% nas mortes violentas intencionais no Tocantins entre 2024 e 2025, alcançando o menor número da série histórica iniciada em 2012. O documento também registra redução de 48,3% na letalidade policial e quedas em diferentes modalidades de crimes patrimoniais, resultados associados ao fortalecimento das ações de inteligência, da integração entre as forças de segurança e da atuação qualificada das polícias.
No que se refere aos feminicídios, as forças de segurança já intensificaram as ações de prevenção, proteção e investigação, motivo pelo qual a Operação Mulher Segura foi ampliada em 2026 e passou a ter caráter permanente, reunindo forças de segurança e órgãos da rede de proteção em ações integradas que seguirão até o fim do ano.
A SSP/TO também determinou prioridade absoluta à investigação dos crimes de feminicídio. Em 2026, até o mês de julho, foram registrados cinco casos em todo o estado, todos com inquéritos policiais já concluídos pela Polícia Civil. A rápida elucidação desses crimes busca assegurar a responsabilização dos autores e oferecer respostas à sociedade e aos familiares das vítimas.
A Secretaria reafirma seu compromisso com o enfrentamento da violência letal, por meio de investimentos contínuos em inteligência, tecnologia, integração entre as instituições de segurança pública e qualificação das investigações, mantendo o monitoramento permanente dos indicadores para direcionar as ações às áreas que demandam maior atenção.
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