União dá 30 dias para estados informarem planos de prevenção ao El Niño

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União dá 30 dias para estados informarem planos de prevenção ao El Niño

O governo federal demandou a estados e municípios a apresentação em até 30 dias de suas prioridades e planos para o enfrentamento dos efeitos do El Niño, especialmente na prevenção e combate a incêndios florestais. Segundo o Valor, a medida segue recomendação do Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo, foi assinada pelo ministro do Meio Ambiente João Paulo Capobianco e publicada na 4a feira (8/7) no Diário Oficial da União.

Estados e o Distrito Federal deverão ainda aprovar planos de manejo integrado do fogo e a regulamentação de medidas de prevenção e preparo em imóveis rurais que atendam a peculiaridades regionais. Os municípios também deverão apresentar seus planos, no que couber em suas competências legais. Com isso, a União pretende evitar a repetição do cenário de 2024, quando houve recorde histórico de incêndios no país no período em que um El Niño estava em vigor.

A expectativa é de que o fenômeno deste ano ganhe intensidade neste semestre, exatamente no período em que a maior parte do Brasil está sob condições mais secas. Além de aumentar o risco de incêndios florestais, o El Niño pode afetar diretamente a produção agrícola nacional, com efeitos potenciais sobre os preços dos alimentos.

De acordo com o Valor, a Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) está monitorando os efeitos do clima sobre os custos do setor. Segundo o vice-presidente da entidade, Márcio Milan, as condições climáticas potencialmente adversas, juntamente com as oscilações no preço do petróleo causadas pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, podem afetar a cadeia de abastecimento e os preços dos alimentos no país. Algumas culturas já registraram alta nos preços nos últimos meses, como batata, tomate e cebola.

O risco de novos eventos extremos no sul do Brasil é uma das preocupações do setor. Cerca de 70% da produção brasileira de arroz, um dos cereais mais consumidos do país, estão concentrados no Rio Grande do Sul. Para piorar, o risco de eventos extremos em outras regiões produtoras mundo afora, como o leste e o sudeste asiáticos, também indica a possibilidade de perturbações nos preços internacionais do arroz, assinala o Olhar Digital.

O quadro é preocupante para as principais commodities agrícolas do Brasil, informa o Investalk. Especialistas da FGV sinalizaram que, com um El Niño mais forte nos próximos meses, culturas como soja, milho, café e laranja devem ser as mais afetadas, com possível queda de produção de 7% a 10%.

O alerta foi reforçado pela consultoria StoneX, que indicou a possibilidade de redução na produção de commodities já a partir deste mês. “O terceiro trimestre será marcado pela consolidação do El Niño e por um aumento expressivo do risco climático em diversas regiões produtoras. O fenômeno tende a modificar padrões de chuva e temperatura em escala global, exigindo atenção redobrada de produtores e agentes do mercado”, afirmou Carolina Giraldo, analista da StoneX, ao Globo Rural.

Os impactos potenciais do El Niño sobre os preços não se limitam aos produtos agrícolas. A CNN Brasil ressalta o risco de alta no preço da energia elétrica em virtude das ondas de calor, que deverão ser mais frequentes em boa parte do país com o fenômeno. Com os reservatórios das hidrelétricas mais secos em decorrência da seca e a maior demanda por energia para refrigeração, o acionamento de termelétricas a combustíveis fósseis deve aumentar nos próximos meses, encarecendo a conta de luz dos brasileiros.