Operação da única mina de terras raras do Brasil impacta córregos em Goiás

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Operação da única mina de terras raras do Brasil impacta córregos em Goiás

Um relatório da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás (Semad) finalizado em 17 de março identificou indícios de impactos socioambientais na operação da Serra Verde, única mina de terras raras do Brasil, localizada em Minaçu. Na semana passada, a mineradora foi comprada pela USA Rare Earth (USAR) por US$ 2,8 bilhões (R$ 14 bilhões).

Segundo documento ao qual a Agência Pública teve acesso, a Semad relata irregularidades identificadas em vistoria técnica realizada com o IBAMA em novembro de 2025. Foi identificado um quadro de “degradação” ambiental no córrego Laje. Os órgãos aconselham que a Serra Verde seja multada em R$ 12,5 milhões pela poluição, além de R$ 120 mil por “apresentar estudo ambiental omisso” sobre a qualidade das águas superficiais e subterrâneas impactadas pelo empreendimento.

Além disso, a mineradora foi alvo de outros sete autos de infração por desmatamento, mineração irregular e outras irregularidades. Os autos agora seguem processo de sanção administrativa ambiental. Segundo Robson Disarz, subsecretário de Licenciamento, Fiscalização e Controle Ambiental, a Serra Verde chegou a apresentar uma série de documentos que será avaliada pela equipe técnica para subsidiar a decisão de celebração ou não de acordo.

Dados apresentados pela mineradora em março de 2025 mostraram vários parâmetros acima dos limites adequados. Um deles foi o manganês, presente no rejeito da extração de terras raras, encontrado em córregos que correm abaixo de um tanque escavado em uma das cavas para receber água da chuva. Em excesso, o metal causa turbidez e odor da água, além de riscos para a saúde das pessoas e do meio ambiente.

A Semad também pontuou que os monitoramentos feitos pela Serra Verde não foram adequados. O órgão aponta, por exemplo, informações desencontradas e ausência de comprovações técnicas, como laudos ou registros fotográficos, que atestassem a veracidade das informações.

O córrego Laje deságua em outro, o Areias, que passa por diversas propriedades da região. Em reportagem no ano passado, a Pública atestou a preocupação de produtores rurais, que notaram mudanças na coloração e na densidade da água. No final de 2024, um produtor chegou a contar ao menos seis casos de aborto, em sequência, nos bovinos que bebem da água do córrego.