Parece repetição da semana passada, mas é “só” o que vem acontecendo dia sim, outro também, desde 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel iniciaram ataques ao Irã. Os preços do barril de petróleo voltaram a disparar na 2ª feira (4/5), após relatos de que drones e mísseis iranianos atacaram os Emirados Árabes Unidos – o que seria a primeira ofensiva por parte do Irã a um país do Golfo Pérsico desde o início do frágil cessar-fogo firmado com os EUA em abril. Além disso, o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz segue praticamente paralisado, com estadunidenses e iranianos disputando narrativamente o controle da região.
No fechamento, o petróleo tipo Brent com vencimento em julho teve alta de 5,79%, cotado a US$ 114,44 por barril. O WTI com entrega prevista para junho subiu 4,39%, a US$ 106,42 por barril, detalha o Valor.
Os preços do petróleo já subiam no começo da sessão, após navios terem sido alvos de ataques em Ormuz, e foram às máximas em meio aos relatos de ataques nos Emirados Árabes. Até o fim da tarde de ontem, ainda não havia um pronunciamento oficial das autoridades iranianas.
No domingo, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nas redes sociais que seu país faria “todos os esforços” para retirar do estreito os navios que não estivessem envolvidos no conflito. O “agente laranja” ofereceu poucos detalhes sobre como o processo se desenrolaria, e o Comando Central dos EUA indicou que o papel estadunidense envolveria a coordenação do tráfego seguro entre os navios retidos, informa o New York Times.
No entanto, o Irã reagiu. O país emitiu ameaças contra navios de guerra dos EUA e quaisquer embarcações comerciais que tentassem atravessar o estreito. Houve relatos de que dois mísseis atingiram uma embarcação de patrulha estadunidenses ao desconsiderar um alerta iraniano, segundo o Valor.
Na semana passada, o secretário-executivo da ONU para Mudanças Climáticas, Simon Stiell, usou o primeiro Diálogo de Alto Nível pela Transição Energética, organizado pela Presidência da COP31 e pela Agência Internacional de Energia (IEA), para traçar um quadro sombrio da economia global por causa da crise do petróleo. E voltou a dizer que a crise atual nos mercados de energia é, paradoxalmente, um acelerador da virada para as renováveis, destaca a Exame. “Os que lutaram para manter o mundo viciado em combustíveis fósseis estão inadvertidamente turbinando o boom global das renováveis”, disse Stiell.
A análise é compartilhada pelo ex-presidente colombiano Juan Manuel Santos Calderón, que participou da 1ª Conferência sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, em Santa Marta, também na semana passada. “O mundo está em uma encruzilhada. Temos dois modelos de desenvolvimento. Um é seguir com a extração (de fósseis) e com a incerteza. E temos um modelo que lida com resiliência e compartilha prosperidade. Espero que se entenda que é este segundo modelo que precisamos. Para tanto é preciso vontade política e mobilização social para pressionar líderes à ação”, disse à Daniela Chiaretti no Valor.





