Colômbia apresenta “mapa do caminho” nacional contra dependência de combustíveis fósseis

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Colômbia apresenta “mapa do caminho” nacional contra dependência de combustíveis fósseis

A Colômbia busca liderar pelo exemplo na 1ª conferência global para o fim dos combustíveis fósseis. No primeiro dia do evento, o país anfitrião apresentou seu roteiro nacional para abandonar progressivamente petróleo, carvão e gás.

O Plano prevê redução de 90% da demanda primária de energia fóssil, uma matriz elétrica 100% renovável e a eletrificação total do transporte rodoviário e público até 2050. O país pretende cortar 90% das emissões do sistema energético frente aos níveis de 2025, e ter uma economia líquida de US$ 280 bilhões (R$ 1.4 trilhões) entre 2026 e 2050.

Segundo o documento, a transição exigiria investimentos elevados na fase inicial, mas passaria a gerar economia líquida anual a partir dos anos 2040, explica a Exame. O principal desafio do país está hoje na dependência da exportação de combustíveis fósseis – que rende US$ 25 bilhões (R$ 124 bilhões), valor equivalente a metade das exportações totais.

Porém, o documento reitera que essa receita deve diminuir na medida em que o mundo avance com a transição energética, reduzindo a demanda por combustíveis fósseis – a previsão é de que a renda caia para metade em meados da década de 2030. Como alternativa, o roteiro nacional propõe a diversificação econômica, apoio às regiões produtoras, requalificação profissional e expansão de setores como minerais críticos.

À RFI, a ministra do meio ambiente da Colômbia, Irene Vélez Torres, lembrou que cada país tem seu contexto específico e que seria um erro tentar trazer uma “solução universal”, e que os países participantes podem criar seus próprios planos subnacionais para eliminar, por exemplo, as emissões de metano, reduzir gradualmente o uso de carvão na geração de eletricidade e eletrificar o transporte.

Irene vê como erro a decisão de países progressistas da América Latina, que governaram entre os anos 2000 e 2020, de se apegarem aos recursos dos combustíveis fósseis para implementar benefícios sociais. “[Os recursos] foram mais amplamente distribuídos pela sociedade, mas criaram um problema grave de dependência econômica”, afirma.

A escolha de Santa Marta para a primeira conferência do tema é simbólica, pois além de ser a cidade mais antiga do país, é também um dos principais portos exportadores de carvão do mundo. Além disso, a Colômbia ainda é um país perigoso para os ambientalistas.

Um exemplo disso é a ativista Yuvelis Morales, reconhecida no último dia 20 com o prestigiado prêmio ambiental Goldman pelo seu trabalho contra a expansão de projetos de fracking da petroleira estatal colombiana Ecopetrol e da americana ExxonMobil no rio Magdalena, o maior do país. Em 2022, ela precisou se exilar na França devido a ameaças de morte. Em entrevista à Folha, Yuvelis defendeu que o governo de Gustavo Petro proíba o fracking na Colômbia.