Condições mortais de calor extremo já estão ocorrendo, mostra estudo

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Condições mortais de calor extremo já estão ocorrendo, mostra estudo

Um novo estudo publicado na Nature Communications mostra que períodos prolongados de estresse térmico insuportável já ocorrem durante ondas de calor em diversas partes do mundo, matando milhares de pessoas.

Os cientistas analisaram seis grandes ondas de calor que aconteceram no oeste e sudeste da Ásia (2024), nos Estados Unidos e no México (2023), na Austrália (2019), na Índia e no Paquistão (2015) e na Europa (2003), usando um modelo que incorpora fatores fisiológicos como limites de transpiração, umidade e idade, para explicar as mortes históricas relacionadas ao calor. Os limites levam em consideração tanto a temperatura quanto a capacidade do corpo de se resfriar.

Tradicionalmente, os limites de estresse térmico para a sobrevivência humana têm sido definidos por uma exposição de seis horas a uma temperatura de bulbo úmido de 35°C. No entanto, o estudo identifica que “condições extremamente quentes e secas são tão letais quanto condições quentes e úmidas” e que o limite do bulbo úmido de 35°C não abrange com precisão toda a gama de condições perigosas, em especial em ambientes secos, informa o Down to Earth.

Um fator que pesa nessa conta é quanto as pessoas estão expostas diretamente à luz solar em ambientes com baixa umidade e altas temperaturas. Em eventos de calor observados na Índia e no Paquistão, por exemplo, estar na sombra pode reduzir em metade o número de dias perigosamente quentes para idosos.

O grupo apresenta maior vulnerabilidade devido à menor capacidade de transpiração. Mas o estudo também destaca os riscos para os trabalhadores autônomos, que podem não conseguir descansar quando necessário ou aumentar a ingestão de água devido à falta de instalações adequadas.

“Nossas respostas naturais – sede, fadiga, necessidade de descanso – estão sendo cada vez mais suplantadas pelas pressões econômicas”, afirmou Roy Monteiro, professor assistente do Departamento de Ciências da Terra e do Clima do Instituto Indiano de Educação e Pesquisa Científica. A falta destes recursos, como água e sombra, enfraquece o que o especialista descreve como a “primeira linha de defesa” do corpo contra o calor.

“A longo prazo, as respostas mais eficazes serão aquelas que reconstruírem essa linha de defesa – seja por meio de sistemas sociais mais robustos, proteções legais ou um renascimento de práticas tradicionais, como ajustar roupas, hábitos alimentares, reduzir a atividade física e beber mais água”, afirmou.