Brasil adere a acordo para triplicar energia nuclear até 2050

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Brasil adere a acordo para triplicar energia nuclear até 2050

Transição energética justa? Não. Na 3ª feira (10/3), o governo brasileiro aderiu à Declaração Para Triplicar A Energia Nuclear Até 2050. O anúncio foi feito durante a 2ª Cúpula sobre Energia Nuclear, em Paris. China, Bélgica e Itália também formalizaram apoio à proposta, aprovada por 38 países. A realização da cúpula evidencia que a agenda nuclear voltou a ganhar centralidade em fóruns multilaterais, comenta o Brasil 247.

A declaração foi lançada na COP28, em Dubai, em 2023, e integra as discussões sobre a redução das emissões de gases de efeito estufa e a segurança energética. O objetivo da iniciativa é mobilizar governos, indústrias e instituições financeiras para fortalecer a segurança energética e atender à crescente demanda mundial por eletricidade. Diversos países defendem que a energia nuclear pode ser complementar às fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica, explica o Poder 360.

O Brasil possui duas velhas usinas nucleares em operação, Angra 1 e Angra 2, ambas no estado do Rio de Janeiro, com capacidades instaladas de 657 megawatts (MW) e 1.350 MW, respectivamente. Já Angra 3, cuja construção começou em 1986, permanece com obras paralisadas, lembra o BNamericas. O custo para concluir a usina é de R$ 23,9 bilhões, segundo projeções do BNDES, e a tarifa deve ficar em R$ 817,27 por MWh, de longe, a mais cara do país.

Se Angra 3 for concluída, sua energia será obrigatoriamente contratada. É dor certa no bolso do consumidor. Além de ser uma eletricidade desnecessária em um Brasil rico em fontes renováveis.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, é um entusiasta da energia nuclear, a ponto de sugerir a instalação de pequenos reatores nucleares em comunidades isoladas da Amazônia. Além disso, a minuta do Plano Nacional de Energia 2055, em consulta pública até sábado (14/3), prevê que, “em linha com as ambições climáticas, é prevista a viabilização de até 14 GW da tecnologia nuclear”.

Mas o Brasil, por sua matriz hidrelétrica e pelo seu potencial de fontes renováveis, não precisa da geração nuclear para descarbonização, lembram o climatologista Carlos Nobre e o engenheiro Flamínio Levy Neto. Além de cara – três vezes mais do que as fontes renováveis solar e eólica -, os riscos ambientais são imensos, desde a mineração do urânio, que libera poluição radioativa, até o armazenamento de resíduos como plutônio e césio-137.