“Mutirão” é chave para retomar cooperação climática global, defende presidente da COP30

0
220
“mutirao”-e-chave-para-retomar-cooperacao-climatica-global,-defende-presidente-da-cop30
“Mutirão” é chave para retomar cooperação climática global, defende presidente da COP30

A carta publicada no mês passado pelo presidente-designado da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, lançou a ideia de “mutirão” no vocabulário das negociações climáticas. Para o governo brasileiro, a retomada da cooperação coletiva entre os países é chave não apenas para a ação global contra a crise climática, mas também para o fortalecimento do multilateralismo em um contexto de crises geopolíticas simultâneas que ameaçam a ordem internacional.

“A essência do mutirão é cada um fazer a sua parte, [assim como] o marceneiro faz o que sabe, o pedreiro faz o que sabe, quem tem um carro empresta o automóvel. Não é todo mundo fazendo a mesma coisa, mas cada um fazendo alguma coisa”, explicou Corrêa do Lago à Agência Pública. “O mutirão é a gente construir o que vai dar para ter como resultado na COP”.

Recém-chegado de Berlim, onde participou dos Diálogos Climáticos de Petersberg na semana passada, Corrêa do Lago disse que a recepção dos países às propostas do Brasil para a COP30 tem sido positiva, inclusive à ideia de mutirão. “Muitos países ensaiaram pronunciar a palavra ‘mutirão’. Foi simpático. É engraçado que não tem uma tradução de mutirão em uma palavra. Mas o conceito do que propusemos foi entendido”, afirmou.

Além de engajar governos, empresas e sociedade civil, a ideia de mutirão visa também desarmar uma bomba potencial para as negociações em Belém em novembro – a saída dos Estados Unidos de Donald Trump do Acordo de Paris. O presidente da COP30 reiterou sua análise ao dizer que a agenda climática seguirá forte entre as empresas e os estados norte-americanos, apesar do negacionismo da Casa Branca, mas reconheceu que a situação traz preocupação.

“O fato é que não há a menor dúvida de que há uma crise institucional pela ausência dos Estados Unidos e uma crise de credibilidade por uma certa frustração que se estabeleceu com relação a Baku [COP29, no ano passado]”, destacou o diplomata.

A mesma preocupação é compartilhada por um antecessor importante de Corrêa do Lago: o ex-primeiro-ministro francês Laurent Fabius, que presidiu a COP21 em 2015, quando foi assinado o Acordo de Paris. Em conversa nesta 2ª feira (31/3) com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, Fabius disse que a França trabalhará pelo sucesso da COP30.

“Esperamos muito de Belém. Temos uma situação paradoxal, pois é um momento em que os danos causados pelo aquecimento global estão maiores. Temos a sensação de que em certos países, estou pensando nos EUA, por exemplo, há um retrocesso. E é exatamente o contrário: precisamos avançar”, disse o ex-premiê francês.

“Fizemos muitas coisas desde Paris, mas ainda existem o que chamamos de lacunas nas emissões [cortes nas emissões que precisam ser feitos para que estabilizemos o aquecimento global em 1,5oC]. E, portanto, faremos o máximo para que os problemas sejam tratados. E tenho grande confiança no Brasil”, destacou Fabius, citado por Folha e Valor.