Áreas urbanizadas de favelas cresceram 150% em 40 anos

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Áreas urbanizadas de favelas cresceram 150% em 40 anos

A área urbanizada por favelas no Brasil mais do que dobrou nos últimos 40 anos. De acordo com dados do MapBiomas, a ocupação de áreas de vegetação nativa nessas comunidades saltou de 60,2 mil hectares em 1985 para 151,7 mil hectares em 2024, um crescimento superior a 150%. O ritmo supera o aumento da área urbanizada no Brasil como um todo no mesmo período, que cresceu de 1,9 milhão para 4,4 milhões de hectares, um aumento de 132%.

O avanço da ocupação reduziu a proporção de áreas verdes nas favelas. Em 1985, essas comunidades tinham 43% mais vegetação por hectare do que as demais áreas urbanas. Quatro décadas depois, essa situação se inverteu, e a disponibilidade de vegetação intraurbana nas favelas era 15% menor do que nas demais áreas urbanizadas.

Segundo a Folha, isso não significa que a vegetação nas favelas tenha diminuído. Na verdade, ela cresceu, mas em ritmo inferior ao da ocupação urbana. De 1985 a 2025, a vegetação intraurbana nas favelas cresceu apenas 1,7 vezes, enquanto nas áreas urbanizadas fora delas aumentou 2,6 vezes. Consequentemente, a quantidade de vegetação por hectare urbanizado em favelas caiu em cerca de um terço, enquanto cresceu em aproximadamente 10% fora delas.

O MapBiomas mostra que o Brasil tinha cerca de 12,3 mil favelas em 2025, distribuídas em 651 municípios. Desse total, pelo menos 42% dobraram de tamanho nos últimos 40 anos. Considerando a área urbanizada em favelas no último ano, a análise mostrou que mais de 60% delas surgiram após 1985.

A Região Norte concentra mais de um quarto (27,9%) da área ocupada por favelas no Brasil, apesar de representar pouco mais de 9% de toda a área urbana nacional. Entre os municípios brasileiros, Manaus (AM) lidera o ranking de área urbanizada em favelas, com 10,5 mil hectares distribuídos em 235 comunidades. Em comparação, São Paulo (SP) tem quase seis vezes mais favelas (1.359), mas elas ocupam uma área menor, de 6 mil hectares.

Os dados do MapBiomas também mostram uma diferença importante na urbanização no Brasil. Nas favelas, a maior parte da expansão (54%) nos últimos 40 anos ocorreu sobre áreas naturais. Já na urbanização brasileira como um todo, o avanço da ocupação ocorreu principalmente sobre a pastagem (38%). No entanto, em números absolutos, a conversão de vegetação natural em área urbanizada foi 17,5 vezes maior fora das favelas, com mais de 866 mil hectares, ante 49 mil hectares nas comunidades.

O encolhimento das áreas de vegetação nativa nas favelas intensifica os riscos enfrentados por essas comunidades durante eventos climáticos extremos. A área urbanizada em favelas situadas em zonas de suscetibilidade muito alta a inundações mais que dobrou; já em zonas com risco de deslizamento de terra, o crescimento foi de 12%. Favelas com menos áreas verdes também correm maior risco de registrar temperaturas mais altas durante ondas de calor.

“Para adaptar as cidades às mudanças climáticas, precisamos olhar para onde o verde se perdeu e onde os territórios ficam mais expostos, e esse mapa precisa incluir as favelas”, afirmou Júlio Cesar Pedrassoli, coordenador do tema Urbano do MapBiomas, citado pela Agência Brasil e pelo O Globo.

CNN Brasil, UOL e Veja também repercutiram os dados do MapBiomas.